quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Rosie Mankato traz urgência e reflexão em novo single



A banda curitibana de indie-folk Rosie and Me encerrou atividades há alguns meses. Dona de um bom álbum lançado em 2012 e frequentadora de blogs aqui e lá fora e também de seriados de tv, o Rosie and Me tinha na vocalista e compositora Rosanne uma figura importante; para alegria dos fãs, Rosanne vai lançar no início de 2014 seu trabalho solo, agora assinando como Rosie Mankato, nomeado Palomino. 

O primeiro single já está aí, trazendo uma sonoridade que só é parecida com sua antiga banda na aparência: por trás da embalagem folk, há sensações diferentes; se o Rosie and Me era um passeio de sábado de manhã em um lugar bucólico, Chino, a nova música, traz uma urgência pós noite agitada, um momento de reflexão depois de mar agitado. Assista ao vídeo abaixo:

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Melhores discos de 2013 - Top 50 gringos




  1. Kanye West – Yeezus
  2. Julia Holter - Loud City Songs
  3. M.I.A. – Matangi
  4. Omar Souleyman – Wenu Wenu
  5. Matana Roberts – Coin Coin Chapter Two
  6. Deafheaven – Sunbather
  7. Disclosure – Settle
  8. Toro Y Moi - Anything in Return
  9. Pusha T – My Name is my Name
  10. My Bloody Valentine - m b v
  11. Earl Sweatshirt  - Doris
  12. Death Grips – Government Plates
  13. Eminem – The Marshall Mathers 2
  14. Jello Biafra And The Guantanamo School Of Medicine - White People And The Damage Done
  15. DJ Koze – Amygdala
  16. Chance The Rapper – Acid Rap
  17. Sleigh Bells – Bitter Rivals
  18. Laurel Halo – Chance of Rain
  19. Jon Hopkins – Immunity
  20. Beaches – She Beats
  21. Danny Brown – Old
  22. Kacey Musgraves – Same Trailer, Different Park
  23. Thee Oh Sees – Floating Coffin
  24. Tim Hecker – Virgins
  25. Julianna Barwick – Nepenthe
  26. Vampire Weekend – Modern Vampires
  27. AlunaGeorge – Body Music
  28. Four Tet – Beautiful Rewind
  29. The Ex & Brass Unbound - Enormous Door
  30. Oneohtrix Point Never – R Plus Seven
  31. !!! - THR!!!ER
  32. El-P & Killer Mike - Run The Jewels
  33. Laura Marling - Once I Was An Eagle
  34. Fuck Buttons - Slow Focus
  35. Bombino – Nomad
  36. Thundercat – Apocalypse
  37. Autechre – Exai
  38. Josephine Foster – I’m a Dreamer
  39. Ghostface Killah - Twelve Reasons To Die
  40. Ghostpoet - Some Say I So I Say Light
  41. Bill Callahan – Dream River
  42. CHVRCHES – The Bones of What You Believe
  43. Lorde – Pure Heroine
  44. Sebadoh – Defend Yourself
  45. Anna Calvi – One Breath
  46. Mikal Cronin – MCII
  47. Carcass - Surgical Steel
  48. Blood Orange - Cupid Deluxe
  49. The Knife - Shaking The Habitual
  50. Burial - Rival Dealer EP 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Melhores filmes de 2013 - Top 10



A Parte dos Anjos (The Angel's Share) - Ken Loach



Spring Breakers - Harmony Korine



 Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adèle) - Abdellatif Keniche



Frances Ha - Noah Baumbach



O Sonho de Wadjda (Wadjda) - Haifaa Al-Mansour



O Passado (Le passé) - Asghar Farhadi



Só Deus Perdoa (Only God Forgives) - Nicolas Winding Refn




Heróis de Ressaca (The World's End) - Edgar Wright


Terapia de Risco (Side Effects) - Steven Soderbergh



Histórias Que Contamos (Stories We Tell) - Sarah Polley




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Azul é a Cor Mais Quente - As músicas



Dos mais falados filmes do ano, o francês Azul é a Cor Mais Quente está em cartaz no Brasil desde a semana passada. Conto de amor entre duas meninas que percorre quase três horas, Azul...encanta pelo imenso carisma e poder de atuação de suas protagonistas, Léa Seidoux e principalmente Adèle Exarchopoulos, além da hábil direção de Abdellatif Keniche. Como nosso foco aqui é sempre a música, listamos abaixo algumas das canções que embalam o romance das personagens Emma e Adèle: uma trilha que passeia entre o house, o pop francês, música dominicana e o indie pop  


Sporto Kantès - Whistle


Sandro Silva & Quintino - Epic

 

Jonathan Dix and Beck Goldsmith - Halcyon Daze

 

Bill Baylis and Julie AnneTulley - Bedlam Town



Romeo Santos - Mi Corazoncito

 

Lykke Li - I Follow Rivers (The Magician Remix)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Melhores discos brasileiros de 2013 - Top 50


Foto por André Porto
   
Mais um ano bastante favorável na música brasileira; não apenas na quantidade de gêneros variados mas principalmente pela boa articulação entre nomes novos e lançamentos importantes de artistas já estabelecidos. Temos desde o peso do Facada, Black Coffins, Deaf Kids e Noala passando pela eletrônica do Cybass, Barulhista e Soul One até grupos de difícil segmentação como Vermes do Limbo e Passo Torto. Mas, acima de tudo, foi um ano bom para o rap com discos fortes de Karol Conká, Lívia Cruz, 3umSó, Rael e principalmente as obras incríveis de Emicida e Don L, que elevaram o nível pra geral. Daqui pra frente, muita gente vai suar pra acompanhar o ritmo desses dois. E que venha 2014! Lista elaborada por Eduardo Yukio, Letícia e Fuzzy Dunlop.


  1. Don L - Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L      review
  2. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui
  3. Passo Torto - Passo Elétrico
  4. Garotas Suecas - Feras Míticas          review
  5. Karol Conká - Batuk Freak
  6. Facada - Nadir
  7. Bárbara Eugênia - É o Que Temos      review
  8. Bonifrate - Museu de Arte Moderna     review
  9. Lívia Cruz - Muito Mais Amor        review
  10. Noala – Humo        review
  11. Deaf Kids – The Upper Hand
  12. Rodrigo Amarante - Cavalo
  13. 3umSó – Talibã             review
  14. Cacá Machado – Eslavosamba
  15. Do Amor - Piracema
  16. The Black Coffins - III. Graveyard Incantation EP
  17. Porto – Odradek
  18. Síntese & Distúrbio Verbal - Buracos ao Chão EP      review
  19. Clarice Falcão – Monomania             review
  20. Godasadog – Hoje
  21. Rael – Ainda Bem Que eu Segui as Batidas do Meu Coração
  22. Momo – Cadafalso
  23. Zeca Viana – Psicotransa
  24. Soul One - Pulso
  25. Cybass – Hop It! EP
  26. Barulhista – Café Branco
  27. Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra
  28. SLVDR – Fera Vischer EP
  29. Boogarins – As Plantas Que Curam
  30. Marcelo Jeneci – De Graça
  31. Blubell – Diva é a Mãe
  32. Lulina – Pantim
  33. Tribo da Periferia – 2. Último
  34. São Paulo Underground - Beija Flors Velho e Sujo
  35. Marcello Gugu – Até Que Enfim
  36. Guilherme Arantes - Condição Humana
  37. City Fuss - City Fuss
  38. Bemônio – Opscurum
  39. Zeca Viana – Psicotransa
  40. Vermes do Limbo - Adeus Igapó
  41. Glue Trip - Just Trippin EP
  42. Mahmundi - Setembro EP
  43. Projota - Muita Luz
  44. Wado - Vazio Tropical
  45. Dorgas - Dorgas
  46. Opala - Opala EP
  47. Castello Branco - Serviço
  48. CESRV - One Thousand Sleepless Nights
  49. Top Surprise - Klouds EP
  50. Digital Ameríndio - Intensos Animais Imperceptíveis

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: The Renegades of Punk



Nesta seção do blog, convocamos uma galera pra montar uma playlist de cinco músicas. Nesta edição a seleta foi montada por Daniela Rodrigues, guitarra e vocal na banda The Renegades Of Punk

Slant 6 - What Kind of Monster Are You?


Hysterics - Hanging Out At The 512




Rezillos - Destination Venus



The Pandoras - Hot Generation



La Sera - Drive On

sábado, 30 de novembro de 2013

35 minutos de Fugazi ao vivo #video


Não é novidade na rede essa apresentação do Fugazi no tradicional 924 Gilman Street em Berkeley, Califórnia nos anos noventa, mas ainda é um dos registros mais fiéis do poder incrível da banda de Washington. Vale cada um dos pouco mais de trinta minutos de registro, uma pequena aula de punk post hardcore e além.

Playlist

  1. Intro 
  2. Reclamation 
  3. Sieve-Fisted Find 
  4. Greed 
  5. Turnover 
  6. And the Same 
  7. Waiting Room 
  8. Bulldog Front 
  9. Song #1 
  10. Blueprint 
Link da Dischord com opção de download.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: Lurdez da Luz (especial Dia da Consciência Negra)



Nesta seção do blog, convocamos uma galera fera pra montar uma playlist de cinco músicas. Esta é uma edição especial Dia Nacional da Consciência Negra, cortesia da Lurdez da Luz:


Geovana - Quem Tem Carinho Me Leva
"Geovana - chamada de a deusa negra do samba rock, essa faixa é o titulo do seu primeiro disco produzido pelo Rildo Hora, discaço. E acho a mensagem original demais, corajosa. Me identifico."


Shinehead - Jamaican in New York

"Eu sofro de prazer com qualquer som desse cara. Sou muito fã de rap-reggae e ele representa muito... Nesse som também acho a letra foda. Ele pode tá no brooklin ou bronks mas é de Kingston, outros 500."


Gerônimo Santana - Eu Sou Negão

"Passei muitos carnavais na Bahia desde de criança, teriam outros sons que eu tenho ligação emocional forte, mas quando toca esse refrão a casa cai... E o Gerônimo é fundamento. Vai pra salvador numa terça feira que cê vai vê ele no escadão."


Marcia Maria - Meu Amigo Branco

"Poxa o que dizer sobre essa obra prima da música brasileira... Marcia Maria é tão fudida que anda em outra atmosfera que é o Jazz mundial, mora na gringa... Mas a letra me pegou, acho muito loca essa declaração de amor escancarada... E diz: se existe preconceito eu não sei! E pra mim, ela quer dizer, tem sim, mas eu num sinto."


Kanye West - New Slaves

"Acho o artista de rap mais interessante musicalmente há muito tempo... E a primeira vez que vi a cara detestei. Mas ele só se supera álbum após album e dessa vez ele pesou demais. Mas eu gosto de peso demais. O titulo da faixa já diz tudo."

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: Ogi



Nesta seção do blog, chamamos uma galera pra montar uma playlist de cinco sons. Nesta edição, Ogi:


Don L - Morra Bem, Viva Rápido



Lux - Why?




Eminem - Rap God

 

Pusha T - Numbers On The Board


Magestik Legend - All Eye Know

 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Baixe o trampo novo do Death Grips: "Government Plates"



O Death Grips é uma banda muito daora. Tão daora que enquanto velhos roqueiros indie lutam pra fechar sites como o Rap Genius o duo bota um disco novinho na rua e de graça pra galera. O trio formado por MC Ride, Zach Hill e Andy Morin aprontou agora o Government Plates, onze faixas daquela abrasividade habitual acompanhadas por imagens pra cada uma delas no canal de YouTube dos caras.

Aliás, como representantes do rap (e da eletrônica) estadunidense atual, o Death Grips e sua política de soltar música de graça está alinhado com o arejamento de ideias que está salvando o hip hop do Tio Sam da mediocridade. Não por acaso, outros gêneros por lá tem sofrido um desgaste criativo que acaba sendo ilustrado belamente por David Lowery e seu professamento de uma cultura antiquada e sôfrega.

Pra nós que curtimos música, é genial que um grupo como o Death Grips prefira presentear seus fãs, permitindo que o controle sobre seus lançamentos jogue a favor da criação e da autonomia. Enquanto isso, fãs do rock oitenta e noventista fuçam sites russos e captchas horríveis pra baixar ilegalmente álbuns do Camper Van Beethoven e do Cracker. Não precisa dizer quem está se divertindo mais.

Baixe Government Plates aqui ou aqui.
   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: Garotas Suecas


Convocamos uma galera pra montar uma playlist de cinco músicas. Nesta edição, Tomaz Paoliello do Garotas Suecas

Rock & Roll - Velvet Underground

"Acabamos de perder o Lou Reed e voltei a escutar muito seus discos. O tema dessa canção e a história que tenho com ela se relacionam. Ela fala sobre a sensação de ouvir um rock e sentir que, de uma hora para outra, sua vida começou a fazer sentido. Eu e todos os meus amigos, o pessoal da banda, todo mundo já teve a vida salva pelo rock. 
Meu pai tinha uma fita cassete com esse disco (Loaded), gravada por um amigo que mandou dos EUA nos anos 1970. Tive uma fase de ouvir tudo que tinha em casa, e essa fita, para minha sorte, me apresentou o Velvet muito cedo. Lembro até hoje de ouvir esse disco e sentir exatamente o que o Lou Reed canta. Naquele dia o Velvet Underground salvou minha vida."


Vamos Passear de Bicicleta? - Hyldon

"Esse disco do Hyldon é uma obra prima. Todas as músicas e arranjos são lindos. Essa música, para mim, tem um tom muito infantil, mas muito complexo. Já que falamos do Lou Reed, é um tipo de 'Perfect Day'. Por algum motivo hoje está rolando uma revisão de como encaramos a infância, como uma existência muito melancólica. Essa música é sobre essa sensação."


Straight to Hell - The Clash

"Aqui no Brasil nos acostumamos com a idéia modernista/tropicalista de misturar o local e o global. Para quem é da periferia do mundo parece natural. O Clash é impressionante porque eles fazem esse movimento pelo avesso, a partir do centro. E são uma banda muito aberta, com muitas referências. Quem ouve esse disco sempre fica pensando como teria sido o próximo.Essa música é uma sacada porque fala exatamente de como a 'periferia global' existe também no centro. Fala sobre exclusão, sobre imigração, sobre os filhos de americanos no Vietnã e os filhos de imigrantes nos EUA. Genial."


Hard Times - Baby Huey

"Música do Curtis Mayfield, mas essa versão é mais chocante. Evidentemente é sobre a vida nos guetos americanos, mas descreve um sentimento que todo mundo que vive numa cidade grande conhece. A impessoalidade e a desconfiança generalizada que sentimos em relação aos outros. Atenção para o beat, que já foi sampleado várias vezes. Pesado."


Agora Só Falta Você - Rita Lee & Tutti-Frutti

"Acho que esse é o melhor rock que já foi escrito em português."

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

MC Guime- País do Futebol #vídeo



Aqui temos a junção exata do que é quente no momento: MC Guime e seu funk da borda oeste da grande São Paulo reforçado por Emicida, representante do melhor rap da ZN paulistana (e além), e do craque Neymar. A Copa já começou, amigos. Quem quer o Guime na abertura? o/

sábado, 2 de novembro de 2013

Trinca de vídeos do #rapBR: Dbs Gordão Chefe, Costa Gold e Renan Saman


Três clipes que já são hits aqui na casa, curtam aí:


Dbs Gordão Chefe - Gordão Nunca Tá Só feat. Slow Das Ruas

Fera da ZO paulistana, Gordão (DBS e a Quadrilha, RZO) prepara novo trabalho solo e chega pesado com novo single:



Costa Gold participação Ogi - Transtorno Mental

A mixtape Epifania é o primeiro disco oficial dos caras do Costa Gold, e Transtorno Mental conta com a participação do Ogi:



Renan Samam - Fundo do Mar

Renan é conhecido beatmaker e produtor (Emicida, Kamau, D2) e prepara seu EP. Fundo do Mar soa como hit pra nós:

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Música nova da Lurdez da Luz: "Ping Pong" #vídeo



A MC Lurdez da Luz segue preparando seu novo trabalho: depois da ótima canção Levante, que já mostrava uma pegada mais eletrônica/dançante (beats de Alexandre Basa) , temos agora saindo do forno o lançamento de Ping Pong. Seguindo a lógica dos beats cabulosos do single anterior, desta vez Leo Justi assumiu a função (co-produção de Léo Grijó), mantendo a ferveção da batucada. Interessante notar como a levada da Lurdez encaixa tão bem nesse ambiente, e como ela consegue equilibrar o senso crítico dos versos com a ideia de diversão. Ouçam:

terça-feira, 29 de outubro de 2013

It's all in the game! Dirt Platoon agita o rap de Baltimore



O Dirt Platoon é uma dupla de Baltimore ("West Baltimore, bitch"- veja The Wire, o seriado), os MCs Raf Almighty e Snook Da Crook. Eles se juntaram ao produtor e beatmaker francês Kyo Itachi para lançar o disco War Face no primeiro semestre de 2013. Com uma base bem noventista mas sem apelar demais para qualquer truque velho, o grupo entrega um som pesado e rasgadão, diversão garantida pra quem curte rap da velha guarda com pegada mais contemporânea. Assista aos vídeos de Animal Shit e Dirty Work:

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: Bonifrate



Convocamos uma galera pra escolher cinco canções e trocar ideia sobre elas. Nesta edição, Bonifrate:


Beto Guedes - A página do relâmpago elétrico

"Uma das canções mais bonitas que existem. Brota de uma melancolia enraizada no chão e sobe aos céus platônicos das ideias com um emaranhado de imagens fortes e épicas. É incrível que uma peça tão cheia de compassos quebrados e timbres estranhos tenha sido um grande sucesso radiofônico como foi 'A página do relâmpago elétrico'”.


Super Furry Animals – (Rocks Are) Slow Life

"Posso dizer que a obra dos Furries habita minha fonografia mais interior, minha coleção de influências mais visceralmente explícitas. Não escreveria canções como as que eu escrevo se não fossem as de Gruff Rhys. 'Slow Life' é um épico beligerante da pista; uma baita síntese pop do século XXI. Os Furries me ensinaram que uma canção pode falar sobre qualquer coisa; os Mutantes, que isso também vale pro português."


Os Mutantes – Ave Lúcifer

"Sempre que eu escuto 'Ave Lúcifer' sinto o eco destruidor da primeira audição; todo aquele imaginário terrível e fantástico da pintura de Bosch transubstanciado em uma canção. Quando ouvi 'Ave Lúcifer' pela primeira vez, comecei quase que imediatamente a rabiscar, também pela primeira vez, uma letra em português."



Peter Tosh – Till Your Well Runs Dry

"O som do Peter Tosh, junto com Lee Scratch Perry, destroçou há poucos anos com a resistência adolescente estúpida que eu tinha ao reggae. É provável que nos últimos tempos eu tenha escutado mais música jamaicana que qualquer outra coisa. Entre a amargura de um coração partido no fundo do poço e a intervenção política mais concisa e revolucionária, o Tosh é baita de um letrista."


Bob Dylan – Desolation Row

“'They’re selling postcards of the hanging'” – com esse mata-leão, Dylan começa essa que é uma das suas canções mais longas dos anos 60. É também das mais referenciais e absurdistas. Mas o bonito pra mim é sacar como, em meio a todas essas imagens loucas (Ezra Pond e T.S. Elliot lutando sobre torre; Einstein disfarçado de Robin Hood tocando violino elétrico; o Fantasma da Ópera assustando garotas magrelas), Dylan te arranca os sentimentos mais humanos, identificados ali com todos nós que pensamos pesado e sofremos por esse corredor da morte irrecorrível que é o mundo. Escolhi aqui a versão do Bootleg Sessions Vol. 4, que carrega aquela tensão dos concertos do Dylan no Royal Albert Hall em 1966, e onde ele parece realmente querer violentar os ouvidos da audiência com coices rítmicos e feitiços melódicos." 

sábado, 26 de outubro de 2013

The Renegades of Punk: Um leão por dia #video


E a ótima banda de Aracaju (SE)  The Renegades of Punk divulgou o vídeo para Um leão por dia, música do álbum Coração Metrônomo (2012). Unindo inventividade no intercâmbio dos instrumentos, timbres de uma sujeira linda e pegada certeira, a banda é das melhores do punk/hardcore brasileiro atual. Curta o vídeo abaixo:  



Um leão por dia | The Renegades of Punk from Ivo Delmondes on Vimeo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

#HighFive - Cinco Canções: Kiko Dinucci



Chamamos uma galera fera pra montar uma playlist de cinco sons e comentar sobre as escolhas. Nesta edição, o compositor Kiko Dinucci:

Blackt Out - Lee Ranaldo and The Dust - "Com base riff hipnótico, a canção evolui em diversos timbres e texturas de guitarras, quando a música se acalma em sua dinâmica, uma nova explosão invade o espaço." * É a última música do player abaixo:


Mixturação - Walter Franco - "O começo épico engana, a canção se mostra aos poucos em um grunhido de dor. Um grito de libertação. O ouvinte sente em suas vísceras cada berro e gemido de Walter. Ouvir essa canção é quase uma mutilação."





26 Anos de Vida Normal - Erasmo Carlos - "Não consigo expressar racionalmente o que essa canção me passa, mas ela me mostra o que é o Brasil. Cinco anos lendo jornal, 4 anos assistindo TV, 26 anos esperando você. Quando o cara resolve não morrer lendo jornal, resolve chegar à fama pela marginalidade. Me lembra o Seja Herói Seja Marginal, me lembra os pop star do crime. Me lembra que 26 anos é uma idade que um marginal não alcança."




Capítulo 4, Versículo 3 - Racionais MCs - "Nunca uma canção brasileira foi tão violenta. Essa música faz o ouvinte descobrir em minutos o apocalipse em que se transformou o Brasil. É a voz vinda do lodo social, sem espaço para perdão. Ódio em estado mais bruto. Crônica cruel de uma nação devastada desde seu período colonial." 




Rua Real Grandeza - Jards Macalé e Wally Salomão - "Ouvir Jards cantando apenas com um violão é uma experiência única. O violão dança entre silêncios e esporros. A voz de Jards caminha entre esses silêncios, ouvimos sua respiração ofegante. O resultado é a expressão de um artista original, inventor nato. Veja, jatos de sangue/espetáculo de beleza - as frases finais de Wally sintetizam o que a canção propõe."

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Noala - Humo #resenha



A música mais extrema está bem representada no Brasil no momento; há bons lançamentos envolvendo a galera do punk/hc e também nas variáveis mais metaleiras. Basta prestar atenção em nomes como The Black Coffins,  Deaf Kids, Elma, Test, The Renegades of Punk, Lo-Fi, O Cúmplice, Facada, Os Estudantes, Morto Pela Escola e outros tantos que lançaram trabalhos relevantes nos últimos anos.

Mais uma adição à lista é o primeiro disco do Noala, confirmação de que a feiura de andamentos mais arrastados e instrumentais lamacentos pode ser inventiva. Com vocais inseridos como intervenções mais violentas de um tecido instrumental de engenheiro e um cuidado para evitar uma terrível maldição onanista da música pós-alguma coisa, Humo é, ao mesmo tempo, contemporâneo e verdadeiramente feio. Ou seja, as premissas básicas de qualquer banda de metal nova que se preze estão lá.

As paredes sonoras das guitarras se intercalam com ataques furiosos em Nostalgicca; Stuck in Gastric Tube é tão desconfortável quanto sugere seu título, com refrão mastigado e peso extra contendo um diálogo inserido com frases do tipo: “...For me god is a disease.”Canis Majoris experimenta ambientes de maior silêncio e espaçamento, preparando terreno para Snake Skin, muitos minutos de inventividade nos riffs (base areia movediça solo fumacento) e  algumas viradas de andamento; Ainda temos Humano vinga na História do Impossível, um hit no submundo do metal, Dataglove and Joysticks e seu experimentalismo 8-bit humanoide e o encerramento com Senil, pesadelo transformado em música sinuosa.

Basicamente, Humo apresenta uma coleção de canções com boas variações de tempo, timbragens cuidadosas, repetições indutoras, formando composições sólidas de sludge metal.Bobagem a recomendação “bom até mesmo pra quem não curte metal”. Afinal, quem não curte metal (não) é doente da cabeça. 8/10

Leia mais sobre o Noala no Noisey


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Don L - Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L #resenha


A mixtape DinheiroSexo, Drogas e Violência de Costa a Costa (2007) do grupo cearense Costa a Costa foi como um tiro traçante rasgando o céu escuro do rap nacional do final dos 2000. As alternativas oferecidas ali – diversidade estética, opção pela composição livre, busca pelo timbre, flow de nível AAA – praticamente chamavam os contemporâneos para a reflexão e elevava alguns bons centímetros a altura da barra para um salto perfeito.

De lá pra cá, se você não estava em coma profundo ou lendo apenas colunistas-blogueiros indie, sabe que o rap no Brasil deu seus pulos e estabeleceu padrões altos e provavelmente por isso atraiu público diverso e mais numeroso. Emicida e Criolo lançaram discos importantes e de grande repercussão, gerações cruzadas do underground como Ogi, Kamau, Rincón Sapiência e Rael se fizeram presentes e agrupamentos de apelo com a molecada como os cariocas da Cone Crew ou MCs paulistas como Rashid e Projota reúnem pequenas multidões país afora.

E é neste cenário em que o rap já atingiu o nível de discussão legitimidade versus vendagens, que Don L, um dos criadores da famosa mixtape divisora de águas lança seu trabalho Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L. Don já andava agitando as coisas botando sons na rede que evidenciavam a continuidade daquela vibe gangsta-vivendo-e-transando-enquanto-você-só-resmunga, além do tradicional capricho com os beats e rimas, o que parecia um prenúncio de um trampo bom mesmo.

Dá pra resumir a mixtape como uma trilha sonora dos melhores momentos que você pode atingir na vida; não é apenas hedonismo, é a percepção de enxergar o copo meio cheio (de uísque com champanhe e sangue). Não há negação dos obstáculos, só a visão de que não se escapa de “assinar um três três” de vez em quando. Don é amante das alterações da mente que coisas como a bioquímica e o sexo oferecem, da bebida ao suor da parceira, e alimenta suas letras com imagética exemplar, do tipo que te transporta para toda a experiência em si. Algo que normalmente chamamos de inspirador.

Musicalmente, o astral é lá no alto, batidas diversas (assinadas pelo próprio Don e também Billy Gringo, Luiz Café, Alexandre Basa, Papatinho e Casp Beats) arranjadas entre levadas de quem parece contar com prazer naquela mesa de bar uma porrada de coisas loucas que aconteceram. É óbvio que Don ouve muita coisa diferente e deve ter uma coleção de discos pra lá de referenciada (curiosidade: os rappers costumam ter mais -e melhores- discos, rock incluso, do que roqueiros indie low-brow).

Doce Dose mostra que existe amor pelo blues sujo, afinal é ali que reside a dor negra do submundo, ainda que possa ter sido filtrada pela psicodelia de Jim Morrison; Depois das Três é um chamego R’n’B; Me Faz Acreditar é um interlúdio romântico lúdico; Cafetina Seu Mundo originalmente usava um sample do Black Keys, mas a gravadora da banda estadunidense tretou com isso e a solução de utilizar um instrumental resolveu com estilo, é o melhor rock que você ouvirá no ano, porque no final das contas não é rock; Sangue é Champagne , que já rendeu um clipe inacreditável, é uma música que se sustenta apenas por ser melodicamente bem resolvida, um devaneio erótico cheio de alma. De resto, "só" hits potenciais e hip hop essencialmente, já que a base da criação é mesmo a poesia acompanhada das batidas, instrumental e arranjos. A escalação de convidados envolve nomes como Flora Matos, Rael, Terra Preta, entre outros.

Caro Vapor é disco pra ouvir logo pela manhã, não importa o humor; se estiver deprê, escute pra animar; se estiver disposto, dá um gás e colore o dia. Parece tolo, mas coisas assim dizem muito mais sobre a música pop que mil palavras dentro de um texto: é o prazer, a experiência e a inspiração que o trampo de alguém pode te trazer. O próximo cara a tentar o salto vai ver a barra alguns centímetros mais no alto E é só mais uma mixtape. 9/10   

Baixe Caro Vapor no site da VICE 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Garotas Suecas - Feras Míticas (resenha)



Sempre há espaço para aprimoramento no campo da criação. Pelo menos é o que o pessoal do Garotas Suecas nos faz crer com seu segundo disco, Feras Míticas. O ótimo trabalho de estreia, Escaldante Banda, de 2010 (recheado de groove brasileiro e rock-soul pra fazer suar) já tinha consistência e equilíbrio de ideias. Algum tempo e muitos shows por alguns cantos do planeta depois, a banda paulistana apresenta um arsenal de canções que não apenas são hits potenciais, mas tecem um tipo de coesão cinemática, uma viagem por sentimentos carregados por uma competente bioquímica de timbres, harmonias vocais, teclados, guitarras e seus pedais, formando um baile levemente lisérgico, e primordialmente um ambiente de nuances e curvas .Bem menos referencial, muito mais fluido.

Manchetes da Solidão é o tipo de abertura que coloca o pé no acelerador, ritual roqueiro de rolo de fita magnética transportado para a era digital; New Country, um belo exemplo de sinuosidade + refrão incrível Southern rock; Bucolismo é um soul brasileiro tão bonito que  estabelece um nível para o restante do álbum que parece difícil, já que eles estabelecem pra si próprios um compromisso pesado: iniciam com uma trinca matadora e querem o ouvinte feliz no final. Conseguem?

O miolo da parada mostra a tecladista Irina Bertolucci assumindo os vocais em Pode Acontecer, uma balada acústica e belamente arranjada; a suingada A Nuvem, com a pertinente feat. Da MC Lurdez da Luz. L.A. Disco, como indica o nome, faz a ponte da herança negra caminhando pelos anos sessenta até algum verão decadente do final dos setenta. Eu vou sorrir pra quem é gente boa é construída com simbiose letra/melodia inspirada e funciona nos detalhes de percussão e efeitos.

O finalzinho da jornada oferece Roots Are for Trees, sete minutos de oníricas passagens (parabéns ao trabalho do produto Nick Graham-Smith por extrair o melhor da banda e pelo nível de timbragem) e a singela e muito boa O Primeiro Dia, com Irina soltando sua rouquidão e slide guitars derretendo nossos coraçõezinhos. A resposta para a pergunta do segundo parágrafo é: sim, amigos. Os caras fizeram um disco bom até o fim, ainda melhor que o primeiro, e Feras Míticas é feríssimo. 9/10

   

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bonifrate - Museu de Arte Moderna (resenha)


Um dos magos que formam o Supercordas, Bonifrate retorna com seu novo disco solo, “Museu de Arte Moderna”. Depois da imersão folk-country-rock-distorção de seu segundo, “Um Futuro Inteiro” (2011), MAM apresenta uma variedade rítmica e leveza maiores, embora tenhamos ainda aquilo que os LPs (ou álbuns, como queiram) devem possuir como elemento agregador: sentido, coerência, inter-relação. Se o disco anterior se relacionava como um filme poético adulto, o novo trabalho remete mais a uma audição de fita cassete de música boa enquanto vivemos uma espécie de turbulência emocional juvenil.

 Talvez seja apenas meu lado nostálgico adolescente falando, mas a audição de MAM me trouxe definitivamente uma espécie de sensação bastante peculiar de quando o rock de guitarras psicodélicas, arranjos bem feitos e melodias bonitas significavam tempestade interior amainada pela música. Para que a análise não se torne apenas um choramingo, é importante ressaltar que as canções são excelentes. Não importa que pra você o título da faixa “Eu não vejo Teenage Fanclub nos teus olhos” não faça tanto sentido: o pop redondo guitarrístico e de construção perfeita é o suficiente. Fica ainda melhor com contexto: o personagem da música não encontra o brilho e a essência amorosa que a turma de Gerard Love, Norman Blake e Raymond McGinley produz no seu interesse afetivo.

A leveza com que as faixas vão se sucedendo é um trunfo permanente: fica claro que o ambiente é de cenários desfocados e leve fritura cerebral, mas o convívio tranquilo de uma party jamaicana em “Horizonte Mudo”, imersão de chá em Revoluções (batera lá em cima, teclados), baladas ao piano como “Soneto Estrambótico”, instrumentais violeiras (Guianá Mainline) e demais modalidades de exercício da música além da consciência mostram que MAM é realmente um disco pra ser absorvido. A combinação de composições muito boas com uma direção bastante clara permitiu a Bonifrate exercer um trabalho mais leve que seu anterior, sem perder em nada da substância e experimentação. 8/10

Baixe o disco aqui.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

3umSó - Talibã (resenha)



Oriundo da mesma Brasília que já concebeu nomes como Câmbio Negro, Gog e Tribo da Periferia para o rap nacional, o 3umSó apresenta o disco Talibã, onze faixas de um hip-hop atual embebido em sexo, drogas e violência (negô).

A linguagem gangsta aqui não é a de um discurso repetido, mas um papo reto e sem rodeios, direto ao ponto de soar verdadeiramente abrasivo aos ouvidos mais sensíveis. A base acelera no trap (mas não só) e o uso do autotune é acompanhado do flow ora ácido ora relaxado dos MCs. Refrães como os de Terra de Piranha e Escamoso deixam claro que o grupo trabalha com habilidade a construção das canções, montados sobre estrutura que favorece a escalada das narrativas dentro das batidas.

O grande mérito de Talibã é exercer com efetividade a equação “Cenário lírico gangsta+ criatividade nas batidas”. Acaba sendo um dos melhores discos de rap do ano, o que não é pouca coisa. 7,5/10   

sábado, 7 de setembro de 2013

Síntese & Distúrbio Verbal - Buracos ao Chão (resenha)



Responsáveis por um dos bons lançamentos recentes do rap nacional (o disco duplo de estreia Sem Cortesia, de 2012), o duo Síntese retorna com um EP realizado em parceria com o Distúrbio Verbal. A reunião de forças das bandas do Vale do Paraíba resulta em um disco soturno e seco.

A estética lo-fi e a levada pontiaguda dos MCs, características presentes no primeiro registro  do Síntese permanecem, mas as elucubrações filosóficas e apocalípticas amainaram; o clima é mais próximo da paranoia urbana, da confusão de sinapses da vida moderna. Entre a base sujona (por conta de Neto, Willian Monteiro e Moita) e delirantes construções líricas, Buracos ao Chão retoma a dinâmica acelerada e desafiadora de Sem Cortesia, costurando referências diversas com economia de elementos, mas não de inventividade. 7/10

  

terça-feira, 30 de julho de 2013

Lívia Cruz - Muito Mais Amor (resenha)


A palavra mais apropriada para definir o disco de estreia da MC Lívia Cruz é "quente": a imagem e sensação mais recorrentes ao ouvirmos as onze faixas de "Muito Mais Amor" são relativas a universos (lírico e musical) que exalam calor. Ao destrinchar emoções conflituosas das relações afetivas, a cantora não abre mão da pegada forte do rap e evita clichês. 

Embebido em soul e R&B, o hip hop de Lívia - que solta a voz nas rimas fluentes e no canto com a mesma destreza - convence com boa variação de beats e na criação de atmosferas sonoras que ilustram habilmente as estórias descritas. A faixa-título conta uma superação de adversidades através da resiliência do amor como arma, separando o termo de aproximações com a meiguice; o coração aqui pode ser espinhoso. "Só Por Hoje" é a centelha fugaz, o carnal confundindo a mente, no ritmo de uma canção que se oferece dançante e pop. "Diamantes", com participação de Rashid, é uma balada moderna, envernizada por vocais melódicos e afiada pelos versos dos MCs. Difícil escolher possíveis singles de sucesso no disco, não pela falta de hits mas ao contrário pela abundância de potencial pop.

"Imensidão Azul" recolhe as garras e opta pelo andamento lento e sinuoso pra falar de desejo em ambiente altamente sensorial. Outra participação importante é a de Karol de Souza em "Sei Quem eu Sou", um duelo bonito entre vozes femininas dentro de um rap resvalando no grime com um recado: "Daqui de cima eu consigo ver tudo/as Mcs dominando o mundo." As duas últimas músicas são conhecidas: "Não Foi em Vão", escrita sobre o poema "Legítima Defesa" de Elizandra Souza, já rendeu um belo clipe e trata de desilusão e violência, o gosto amargo da contrariedade. O disco se encerra com "Ele é Jogador", dueto com Rael, outra faixa que já havia aparecido com um clipe; um reggae-pop redondo que parece um pouco deslocado da atmosfera mais densa das músicas anteriores, mas acaba sendo fecho mais otimista e leve para o trabalho.

Lívia Cruz percorreu um bom caminho até este "Muito Mais Amor", e sua intenção de retratar o amor em múltiplas facetas (a alegria, a dor, a atração sexual, a desilusão, etc.) funciona ao expor a habilidade nos flows, as escolhas corretas dos beats e evitar rebarbas em faixas enxutas e diretas. Em última análise, acaba sendo uma declaração de amor não linear, daquelas que dão voltas, ao rap e à música como um todo. 8/10            

Baixe o disco por aqui.


Baixe um DJ set do Mike Skinner



É só verificar a tag que você vai confirmar que o Mike Skinner é um figura de alta moral por aqui. Mas com muita razão: o fera, além de ser responsável pelo The Streets, ter escrito um grande livro sobre a vida (na real é sobre a história do The Streets, mas há muitos insights sobre criação, drogas, relações, música ou seja = vida) atualmente farreia com seu novo projeto, The D.O.T. e eventualmente bota lugares abaixo com seu DJ set.  O bacana é que dá pra assistir a um deles, feito para o programa Just Jam da Don't Watch That TVaqui e fazer o download aqui. Geezers, geezer, geezers!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"Transcorreu sem incidentes ou depredações": Racionais MC's na Virada Cultural (video)


Quem viu, viu, quem não viu pode ter uma ideia agora: estamos falando do histórico show do Racionais na Virada Cultural paulistana deste ano. O grupo liberou imagens do bang que, para infelicidade dos vermes, "transcorreu sem incidentes ou depredações." Chora:

sábado, 13 de julho de 2013

Deafheaven - Sunbather (review)


Uma coisa curiosa acontece quando Sunbather, segundo álbum dos californianos do Deafheaven, atinge aproximadamente vinte minutos de execução: a percepção do ouvinte em inadvertidamente tentar categorizar mentalmente o som que transcorreu até este momento se perde em meio a uma grande confusão sônica. Não que o grupo não possua coerência em sua proposta, mas a violenta entrega e o estilhaçamento de referências torna complicada a tarefa de estabelecer um único e generalizante rótulo. A bateria frenética e insistente e os vocais gritados (as letras não são explicitamente satanistas, mas há um certo chameguinho com o coiso) trazem o emblema do black metal que o Deafheaven carregava até então, mas a trama de guitarras se aproxima sempre da melodia shoegazer, os crescendos épicos trazem cores do pós-rock e a catarse imposta pelo andamento vertiginoso é parente do mais deslavado rock de arena e suas vicissitudes.

Então como Sunbather se sustenta como grande trabalho e não apenas uma mistura de difícil digestão? As sete composições do disco são estruturadas como partes relacionadas, takes longos de um filme onírico e estranho. A engenharia das músicas parte de uma premissa fundamental: a aparente quebra rítmica entre os estilos é pulverizada totalmente; caso típico de banda moderna, os ouvidos dos integrantes acostumados com o consumo de música em fragmentos resulta em uma experiência sônica completa e homogênea, em que as partes visíveis dos gêneros são apenas detalhes de um quadro bastante complexo, imagens que se complementam de forma indissociável.

O Deafheaven vai mais longe do que bandas de sonoridade semelhante como Liturgy e Envy, e definitivamente não é apenas o resultado de uma equação envolvendo metal sombrio + Mogwai + My Bloody Valentine. Sunbather é o melhor disco de música pesada do ano até agora. Também é o trabalho mais bonito/horrível a surgir nos últimos tempos. 9/10  

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ouça o novo som do Amiri



Um dos representantes mais afiados do rap no Brasil está de volta: Amiri retorna com um novíssimo EP, Trinca, sucedendo o ótimo Êta Porra (na nossa opinião um dos grandes discos de 2012). Mantendo seu flow veloz e agressivo, Amiri é mais um exemplo do imenso poder de uma turma aí do rap brasileiro: assertivo, imparável, com personalidade e atitude para ganhar a molecada. Ouça a música que dá nome ao EP abaixo. Dá pra comprar o disco nos shows ou aqui. Via Noisey, braço de lançamentos de música global da Vice: