quarta-feira, 30 de junho de 2010

Onde Está A Raiva?


Foto de Carl Heindl na reunião do G-20 no Canadá, para a revista Vice.

Dê uma olhada no mundo hoje. Realmente. Estamos todos boquiabertos de o quanto a tecnologia está promovendo mudanças. Elas estão ocorrendo mais rapidamente do que a maioria de nossos cérebros consegue processar. Ao mesmo tempo, a economia mundial parece mais um joguete tocado por investidores chapados de cocaína. Massas migratórias lançam choques culturais como socos no estômago das sociedades antes homogêneas. Pessoas se sentem oprimidas pelo cenário incerto. Políticos reacionários mostram suas carinhas sem vergonha. Mídia controlada por lobbies comerciais enterram a reputação do bom jornalismo. Protestos pipocam pelas cidades. Sem mencionar conflitos antigos se tornando mais violentos e insanos. Cenário perfeito. Pelo menos para o surgimento de gente fazendo músicas que refletem, reagem a esse cenário. Assim tem sido, desde o século passado, quando desde o blues negro pobre, o jazz dos beats, o rock contra a América careta, e a partir daí suas vertentes diversas demonstraram que toda mudança nesse planeta gerava uma onda de criatividade pop. Ou, que política e sociedade influenciavam a cultura popular de alguma forma. Muitos jovens ingleses enxergavam tristeza e raiva através de bandas que cresceram na era Thatcher de desemprego e exclusão. As coisas começaram a se tornar mais cínicas quando, nos anos noventa, o que movimentava a música eram bandas que tornavam claro que aquela geração não via inimigos, só sentia tédio e apatia. Mas, estamos em 2010. As tendências extremas de pensamento já estão se manifestando em forma de pronunciamentos racistas, agrupamentos conservadores e violência patrocinada. Sem falar no colapso econômico recente. Já é hora de isso tudo servir de combustível para gente raivosa fazer música. Mas, estranhamente, essa gente não está mostrando sua cara. Se eles existem, estão com os pés fincados em alguma forma engessada de música niilista, sem apelo ao grande público. Ou então estamos condenados a assistir o novo clipe "chocante" da Lady Gaga como sinônimo dos anos 2010. Não há mais tribos musicais porque a distribuição está democratizada; ok: é legal ver bandas bem diferentes duelando no mesmo espaço. Mas ninguém parece querer incendiar tudo só pra ver o que acontece. Nem falo de posições políticas nas letras somente, mas sim de uma demonstração em forma de som, estilo e atitude, claro que com boa dose de talento. De boas intençoes não sobrevive o pop. Por isso espero com grande expectativa o novo disco da M.I.A.: pra mim, ela é representante de alguma esperança de sangue nas veias nas paradas de sucesso. Inglesa de origem cingalesa, dissidente, agitadora, global e de linguagem acessível. Já vi muita gente criticando seu violento clipe para "Born Free". Também já falaram que ela é hipócrita, ou que sua música não é boa. Alguns desses críticos parecem simpáticos a Lady Gaga. Gostos musicais a parte, vejo um pouco desse cinismo conservador aqui: a questão é que uma figura "estranha" como Maya, de "terceiro mundo" e pele escura não pode se servir de marketing chamativo. Eu não me interesso: "Born Free" sampleia Suicide e possui letras assim: "With my nose to the ground/I found my sound...I dont wanna live for tomorrow/I push my life today". Isso te deixa preparado pra enfrentar um dia difícil. Outra nova canção, "XXXO", é o hit que as estrelas pop gostariam de fazer, grudenta e que discute as relações humanas filtradas pela tecnologia dos Smartphones. Em resumo: mais raiva, menos cinismo. Ou Fuck Gaga, M.I.A. rules!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

The Black Keys - Brothers



O Black Keys nunca chamou minha atenção: surgiram no início da década passada, quando Jack White ainda tocava numa só banda, que gerou atenção e dezenas de similares medíocres (Von Bondies só é lembrada agora porque seu vocalista tomou porrada do White). O Black Keys não parecia melhor do que o Jon Spencer Blues Explosion, o que os tornava no máximo" interessantes", o que em se tratando de bandas de rock numa época de internet significa "obsolescência começa agora: 3,2,1....". O que nos leva a 2010, quando coisas tão ancestrais como Strokes e White Stripes petencem a uma outra geração, perdida em seus próprios jeans skinny. Então, "Brothers", quarto disco do Black Keys, poderia ser apenas mais um disco inútil. Poderia, porque de alguma forma a dupla de Ohio desenhou um caminho peculiar: ao invés de se perderem em referências cambiáveis e voláteis- tão queridas por críticos amantes do "novo" e que usam a palavra "Hype" de forma incorreta por serem pessoas francamente infelizes - insistiram no pensamento de sempre: tipo, a gente toca um rock básico, como blues de garagem tocado por brancos de subúrbio, e poe muita fé nisso, então porque mudar? Vamos tocar FUCKING LOUD! Ou algo menos enfático. Agora, que o disco é bom do começo ao fim, e que nem é constrangedor o papo de garotas perdidas e tal, isso é. Assim como a produção, que nem tentou soar como algo gravado em 1923 em busca de autenticidade. Que nada, tem até uns beats espertos por lá. Cara, poe pra tocar e se imagine no interior selvagem dos EUA, cruzando com garotas caipiras que se parecem com a Evan Rachel Wood. 8/10

Perfume Genius - Learning



Mike é de Seattle e escreve músicas delicadas e perturbadoras, é jovem mas parece mais interessado em música atemporal. Assina como Perfume Genius, e Learning é seu primeiro álbum. O que ouvimos aqui são composições de arranjos simples, vocais frágeis e montadas principalmente por notas levadas ao piano. Mike canta como o finado vocalista do Sparklehorse, um fio de voz filtrado por microfones abafados, escreve de forma melancólica como Elliot Smith, como se interpretado por Anthony Hegarty ou Rufus Wainright. A atmosfera criada é de estranheza, algo lúdico e ao mesmo tempo angustiante: as melodias são belas e variadas, mas não é como um passeio no parque em um dia ensolarado. Está mais pra um filme de Kieslowski, onde a humanidade e os sentimentos são pares imperfeitos vistos por uma ótica não manipulada. Há personagens aqui que andam pelas sombras dos subúrbios americanos, trailers e becos, sugestões de pedófilos suicidas e assassinatos (reais ou metafóricos). Improvável ouvir alguma dessas músicas em um comercial de carro, por exemplo. Perfume Genius não é para os fracos: o conteúdo disso aqui levaria um adolescente emo a um ato extremo e dramático: pegaria uma tesoura e violentamente cortaria sua franja. 7,5/10

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Miike Snow - Rabbit

Novo single do bombado grupo sueco Miike Snow; produtores high profile, o primeiro álbum (Burial,2009) era recheado de cançoes electro- pop perfeitas. Agora parece que pegaram a veia dançante de vez:

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O legado de Gavin Rossdale, Daisy Lowe e Dave Sitek


Lembra do Bush, aquela banda inglesa dos anos 90 que soava como um Nirvana anêmico? Então, se voce achava que Gavin Rossdale não tinha contribuído em nada para o mundo pop, conheça Daisy Lowe, sua filha e It girl londrina, acima. A mãe de Daisy é Pearl Lowe (vocalista de duas bandas Britpop de carreira fugaz: Powder e Lodger) e seu padrasto é Danny (baterista do finado Supergrass). Agora, assista a conexao de Daisy com Dave Sitek, produtor e membro do TV On The Radio, beleza de banda nova- iorquina. Sitek vai lançar um disco solo esse ano, e a revista inglesa Esquire usou uma música de seu tabalho para promover o ensaio da garota para a edição de Julho. Vale mais do que toda a discografia do Bush...

sábado, 19 de junho de 2010

The Knife - Tomorrow, In A Year



Nada como um projetinho básico para uma dupla musical vivendo um hiato: album solo da vocalista: sim. Mas também providenciar a base musical de uma ópera baseada na obra de Charles Darwin, A Origem Das Espécies. Claro que só poderia ser um trabalho para o The Knife, duo sueco habituado a tramas musicais inovadoras. Depois do aclamado "Silent Shout", de 2006, Karin Andersson lançou seu album solo sob a alcunha Fever Ray em 2009, com boa recepção da crítica. Porém, o melhor ainda estaria por vir: Tomorrow, In A Year, reúne Karin e seu irmão Olof explorando ainda mais as fronteiras de seu som eletrônico. Se a idéia de ouvir uma mezzo-soprano (Kristina Momme) acompanhada por ruídos minimalistas lhe parece demasiadamente experimental, na fronteira do insuportável, então você é apenas normal. Ao ouvir a primeira faixa, "Intro" e checar se não há algum problema com seu aparelho ou seus fones, parece que a jornada por mais quinze faixas será torturante. Mas após passar por aqueles barulhinhos sem ritmo começamos a vivenciar uma jornada tão interessante quanto o trabalho de Darwin. Seguimos com intervenções operísticas eventuais, batidas descompassadas, sons da natureza, vocais fantasmagóricos, silêncios e barulhos, numa montanha russa de sons desconcertantes, porém envoltos pelo espaço, cheios de silêncios que na verdade são oscilações de uma nota, ou batida, que ecoam bem no fundo das canções. Ok, isso não é um disco da Lady Gaga, for sure. Todo esse invólucro aparentemente hermético é na verdade um convite á exploração do estranhamento, do deslumbramento diante do desconhecido. Mas não seria essa mesma a sensação de Darwin ao iniciar sua obra? Veja, uma dupla pop decidiu musicar uma obra literária mergulhando nas sensações, e não na forma. Ao contrário, The Knife deforma convençoes estilísticas em nome da fidelidade ao projeto. O resultado é ao mesmo tempo assustador, desafiador e sublime. 9/10

quarta-feira, 16 de junho de 2010

The Office - Abrindo caminho para os "Mockumentaries"




Muita gente acompanha a versão americana de The Office sem nunca ter visto a versao original inglesa. Ok, a adaptação do seriado nos EUA é provavelmente a mais bem sucedida, não só em aceitação do público, mas tambem mantendo a qualidade dos roteiros, e especialmente feliz na escolha do elenco. Entretanto, não só se faz pertinente a observação da série exibida pela BBC 2 em 2001 por ser a semente do sucesso atual, mas principalmente pela originalidade de "approach" para a comédia na televisão. Ricky Gervais pode ser hoje reconhecido por apresentar o último Globo de Ouro, ou mesmo por ser o único comediante inglês a aparecer nos Simpsons, mas esse nível de reconhecimento estava distante no início da década passada. Gervais já havia feito alguns trabalhos na TV, mas somente quando seu parceiro para criação Stephen Merchant apresentou para seus chefes na BBC um curta, cuja estória se passava em um escritório,no estilo "falso documentário". Após ser chancelado pela direção de comédias, Merchant e Gervais começaram a trabalhar no seriado. Mas havia ainda alguns percalços: a BBC pretendia inserir uma narração em off e risadas de estúdio, além de escolher o elenco. Mas a dupla convenceu os diretores a manter a idéia original: o formato seria realmente de um documentário fictício, com declaraçoes dos personagens como em um reality show, e Gervais iria estrelar o personagem principal, o chefe David Brent, apagando as risadas de fundo. Algo diferente e não usual. A princípio, os seis episódios da primeira temporada foram recebidos com indiferença, mas o boca a boca resultou em uma tardia audiência, permitindo uma segunda e final temporada. Mas quais as principais qualidades que fizeram "The Office" um franchise imitado oficial ou não oficialmente pelo mundo (Os Aspones, alguém se lembra?)? Bem, primeiro o formato: ele causava estranheza porque havia algo de incômodo assistir personagens tão comuns vivendo situações potencialmente cômicas, mas também constrangedoras; O potencial reconhecimento das situações de trabalho, sem apelar para clichês muito óbvios; o elenco afiado, capaz de transmitir o timing de comédia sem perder a humanidade. A série permitiu que se abrisse caminho para formatos menos tradicionais como "Curb Your Enthusiasm", de Larry David, nos EUA, e "Extras", do próprio Gervais na Inglaterra. Mas, sem perder o foco nas conexoes com a música pop, alguns fatos relevantes: Ricky Gervais possuía uma banda nos anos 80 chamada Seona Dancing, que lançou dois singles; O personagem David Brent se aventurou na música pop após sair da firma, lançando uma versão para "If You Dont Know Me By Now" e um single (realmente lançado) para a canção "Free Love Freeway", com participação de Noel Gallagher.



domingo, 13 de junho de 2010

True Anna


Retorna neste domingo, 13 de Junho (nos EUA e num site perto dos seus dedos) a terceira temporada de True Blood. Certos de mais cenas memoráveis da adorável Anna Paquin.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mystery Jets - Serotonin




A música pop boa é a arte de expressar sentimentos de forma eficaz usando ferramentas diferentes. Muita gente categoriza de acordo com seu humor, então nao importa muito se é um niilismo raivoso grindcore, uma melancolia folk, uma euforia eletrônica, uma tristeza pós punk...há espaço para qualquer declaração inarticulada do coração em forma de música.Existem albuns que são destinados a festas: contem uma coleção de músicas vibrantes, ganchos pop, letras simples de cantar junto. Ás vezes são descartáveis a ponto de causar indiferença, mas quando funcionam são indispensáveis pra te despertar. O quinteto inglês Mystery Jets chega ao terceiro álbum resistindo á maldição das bandas novas, que se queimam em auto importância antes do segundo single. Talvez porque nunca foram parecidos com o Libertines, nem com a nu rave...de verdade, eles sempre meio que trafegaram nessa cena indie inglesa como uma gangue armada com refroes pegajosos, pegada roqueira e sintetizadores new wave. Se estourarem com esse Serotonin não será surpresa, já que aqui eles refinaram a arte de fazer música pop imediata: há vários potenciais hits aqui. Se voce ouviu aquele disco do Black Kids uns anos atrás e achou divertidíssimo, vai gostar desse. Mas, espere: os caras também parecem meio melancólicos. Mas também capricharam mais na produção, abrindo espaço pra um som mais encorpado, então sobrou espaço pra diversos sentimentos: "Alice Springs" abre o album já entregando: começa com um climão pra depois explodir em algo agitado com riffs de guitarra afiados, lançando versos como "It only hurts because its true". Nenhuma grande construção poética, mas funciona daquele jeito que só as pequenas melodias brilhantes fazem. "Too Late To Talk" é um soul-pop rasgadao, balada desavergonhada. E muito mais coisas legais que embalariam uma festa, daquelas de se dançar com lagrimas nos olhos, e cantarolar de forma embriagada algum refrão ouvido horas atrás. 8/10

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Kristen Is An Unknown Pleasure


A garota na foto acima estrela aquele franchise sobre vampiros babacas. Mas a atriz é mais cool do que os filmes que estrela: Não porque veste camiseta com capa icônica de banda pós punk, mas porque...bem, simplesmente É.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Midlake - The Courage Of Others



Esses caras são do Texas, mas ouvindo esse terceiro album de estúdio deles parece que passaram a vida num vilarejo perdido na Inglaterra procurando cogumelos e vivendo comunalmente em harmonia com o sol, a terra, a água e o ar. O que faz perfeito sentido, já que os texanos são uns tipos meio bizarros e imprevisíveis. "The Courage Of Others" é aquilo que pode ser chamada de uma obra que ganha valor em repetidas audiçoes. Não pense que o som é "difícil"; na verdade, quem já ouviu grupos dos anos 70 da cena brit-folk como Pentangle e Fairport Convention irá reconhecer as harmonias vocais, violões que conduzem melodias circulares e arranjos que soam como o vento batendo em folhas...mas, de alguma forma, parece meio dispersivo e nauseante de início. Mesmo assim, quando repetimos a sequência de músicas, ouvimos algum detalhe diferente. Com insistência, tudo começa a fazer sentido, já que o que parecia repetitivo se torna coerente, e o que era nauseante vira intoxicante. Bem, vou explicar melhor: embrulhado nessa floresta folk rock existem grandes melodias, que só mostram seu rosto diferenciado quando já estamos repetindo a audição várias vezes: conclui-se que a banda construiu tudo isso como um quebra cabeças, em que as peças se encaixam belamente para uma fotografia final em sépia. Portanto, deixe seu cabelo e barba crescerem, seu druida tomador de chá. 8/10

domingo, 6 de junho de 2010

Jamie T - Emily´s Heart

Jamie T é um belo cronista das coisas mundanas e simples. Esse vídeo é simples e bonito como a própria canção:

Ellie Goulding - Sweet Disposition

Ellie lançou o bom debut "Lights" esse ano. Aqui a princesinha do pop inglês canta uma cover do Temper Trap para a Radio One da BBC.



sábado, 5 de junho de 2010

The Drums - The Drums



O tamanho do barulho que esse quarteto vem fazendo desde o lançamento de um EP em 2009 parece preceder o inevitável grau de negativismo jogado sobre eles agora que lançam o seu debut. Na velocidade do mundo pop atual, bandas que ganham espaço demasiado grande em pouco tempo e/ou repertório recebem o status de hype banal. Bem, indieotas e críticos sabichões, aqui está a sua resposta: The Drums é um discaço, verdadeiro e original. O nome da banda soa familiar...o som te faz lembrar do pop inglês dos anos 80 tipo Field Mice com aquele romantismo simplório e irrestível misturado com surf music dos anos 60...com gosto de novidade. Aliás, alguns grupos parecem apostar que o mais simples e efetivo meio de produzir boas cançoes é não resistir as comparaçoes do passado. Lembra do Oasis em 94? Ou do Strokes na outra década? Ok, agora ouça The Drums em 2010.A sensação é parecida, numa escala menor: soa novo, inventivo e familiar, cheio de referências conhecidas, tudo isso ao mesmo tempo. O melhor truque deles é usar linhas de baixo liderando intervenções de guitarra construídas com o intuito de permitir os ganchos melódicos do vocalista. O truque funciona por todo o álbum. "Lets Go Surfing" tem ritmo galopante e viciante;"Book Of Stories" traz aquele romantismo citado:" I Thought my life would get easier/Instead its getting darker/ Without you"versinho inócuo lido, de efeito bonito na canção. Não há mal nenhum em reciclar referências quando se tem uma máquina azeitada em forma de banda de rock, lançando petardos pop um atrás do outro. Esqueça aquele seu amigo chato que pensa conhecer bandas mais obscuras que poderiam receber o tamanho da atenção do Drums. É só porque a vida dele é um saco, e a sua será mais feliz ao ouvir esse disco. 8,5/10


quinta-feira, 3 de junho de 2010

STOP PLAY MOON - Having Fun

Banda paulistana está prestes a lançar seu álbum de estréia, que promete ser um dos grandes discos do ano:

Tulipa Ruiz - Efêmera



A mais nova cantora/compositora a surgir dessa conexao paulistana de músicos, produtores e coletivos frequentadores da parte mais perto do Centro da cidade, na rua Augusta: esse prêambulo pode induzir a pensamentos do tipo "muderno", "hypado", ou, mais diretamente: insolente. O bom é que nenhuma concepção resiste a audição de boas músicas. Então voce começa a perceber que, ei, tem muita gente boa nesse caldeirão. Believe the hype. Tulipa possui músicos na família e por consequência muitos amigos como CéU, Tiê, Mariana Aydar. Eles todos aparecem em "Efêmera", primeiro álbum da cantora paulistana via Santos e Minas Gerais. Não sei se Tulipa sentiu alguma dúvida em seguir a carreira artística de seu pai (Luiz Chagas), mas com composições tão boas parece óbvio que estamos diante de um talento natural. A fluidez das melodias só se reforça pelo vocal firme e letras espertas como na faixa título: "Congela o tempo pra eu ficar devagarinho/com as coisas que eu gosto e que sei que são efêmeras"; a delicada "Do amor" se desdobra levemente, e a voz de Tulipa vai se transformando num crescendo emocional. Fica difícil descrever um disco tão bom e brasileiro, ao mesmo tempo. São duas categorias meio excludentes (ou alguém leva a sério a MPB como a conhecemos, jocosa e auto-referente?). "Efêmera" faz companhia a belos discos de Tiê, Thiago Pethit, Karina Buhr, M.Takara e outros: cada qual segue um fluxo mental diferente, todos são bem resolvidos quanto ás suas influências e vão marcando espaço pelo talento. 7/10

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ZéMaria - Any Distance

Banda capixaba produz um electro-pop bacaníssimo: vídeo extraído do álbum "The Space Ahead" mostra o poder de fogo deles: a banda tocará dia 12 de Junho na POPLOAD GIG, no Rio de Janeiro.