O segundo disco de Bárbara Eugênia, É o Que Temos, já é um dos belos lançamentos brazucas em 2013. Destrinchamos o trabalho da compositora com uma resenha e um bate papo, que você lê abaixo:
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Kika lança disco com show no Sesc Pompeia
Serviço:
Show: Kika - Lançamento de “Pra Viagem”Data: 21 de fevereiro (quinta)Local: Sesc Pompéia - ChoperiaEndereço: Rua Clélia, 97 - Pompéia - São Paulo/SPHorário: 21hPreços:R$8 [inteira]R$4 [usuário matriculado no Sesc e dependentes, aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante]R$2 [trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes]Censura: 18 anos
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Novo vídeo da Céu: "Retrovisor"
A cantora Céu prepara novo disco, Caravana Sereia Bloom, a ser lançado nas próximas semanas; uma prévia do sucessor de Vagarosa (2009) foi postada hoje no twitter oficial da compositora paulistana: o clipe da música Retrovisor:
domingo, 11 de dezembro de 2011
Melhores de 2011: Top 30 discos brasileiros
Alguns dados relevantes sobre essa lista: dos primeiros dez colocados, 5 são discos de rap; foi impossível cravar a primeira colocação: acabou sendo um "empate técnico", decidido apenas para efeito puramente eletivo. São dois álbuns diferentes, dentro de um mesmo gênero, realizados de forma bastante peculiar: um é mais sujo, direto, sem perder o brilhantismo da subjetividade; outro é belamente executado e sonicamente expansivo. Fato comum: são discos essenciais para 2011 e além, obras incríveis e que merecem a atenção que despertam. A lista ainda inclui ritmos diversos e uma única certeza: é um retrato que permite a observação de uma não-homogeneização do produto final, estilhaçando os limites entre artistas que trabalham de maneira ortodoxa - e com bons resultados - e outros mais aventureiros. Segue:
sábado, 19 de novembro de 2011
Slow Club - Paradise
Não deixa de ser surpreendente que uma das melhores bandas inglesas da atualidade seja um duo garoto/garota praticando um indie-pop aparentemente sem grandes ambições: todo o aparato em torno do grupo formado por Charles Watson e Rebecca Taylor sugere apenas mais uma bandinha twee, fofinha: Charles faz o tipo introspectivo e Rebecca é uma bonequinha loira tímida; dá pra imaginar um comercial da Starbucks estrelado pelos dois. Mas Paradise, segundo álbum desse pessoal de Sheffield prova que eles podem surpreender os mais ácidos críticos. A (perdão) indigência da cena independente da ilha ajuda a explicar, mas não elucida totalmente o motivo de o Slow Club ser um destaque positivo em 2011.
Com uma base instrumental simples de guitarras, violões, teclados e bateria/percussão, a dupla coloca em prática o bom exercício de se criar melodias mais recheadas de curvas, abandonando a linearidade do propósito meramente banal de soar digerível; a impressão é que realmente há uma força de composição que norteia o andamento do álbum, ao invés de pequenos ganchos que se repetem.
Em Two Cousins já temos um exemplo das qualidades do grupo: Rebecca possui bela voz, entoada com intensidade volátil; as harmonias serpenteiam com facilidade; o ataque instrumental preenche espaços e conduz ao elemento mais abrasivo porque há ritmo: sem tirar as mãos do pop, o Slow Club apresenta uma canção capaz de cativar também pela criatividade. If We're Still Alive não estaria fora de lugar em um disco do Givers, toda trabalhada na percussão insistente e riffs sujos: sem mimimi, só curtição. A balada Never Look Back funciona de um jeito que só boas canções podem funcionar: é um dueto com linhas de baixo roubadas de qualquer soul antigo, estaladas de dedo e refrão manjado: a sensação é de que você já ouviu isso antes, mas mesmo assim é bonita e vibrante. Where I'm Waking mistura a energia da abordagem mais agitada com a reflexão melódica característica da banda, Rebecca entregando um "I can see you're looking at me/ You've got the brains/ I've got the body...Lay me down/please lay me down."
A fórmula encontrada aqui parece simples: sem fugir ou temer suas influências, o Slow Club se concentrou em escrever boas canções: não há reinvenção e experimentação, mas também não há brecha para momentos anêmicos: cada faixa de Paradise traz consigo uma boa dose de emoção. O folk quieto de Hackney Marsh e a exuberância de Beginners possuem a mesma vocação para saltar aos olhos - ou ouvidos - mais espertos graças ao entrosamento entre Watson e Taylor na construção das ambiências sonoras. You, Earth Or Ash é uma madrugada pós-tudo sintonizando uma rádio AM encapsulada em forma de canção: o verso "I'm exhausted" é cantado com tamanha emoção por Rebecca que é um daqueles pequenos momentos que engrandecem um álbum. O folk eletrificado em The Dog, adornado pela bateria dura, monotemática de Rebecca e um refrão de dar soquinhos no ar podem fazer alguém engasgar com o frapuccino.
Trabalhar em um campo já repleto de bandas (o universo "indie" do folk-pop inglês: Mumford And Sons, Noah And The Whale, Stornoway, Johnny Flynn, Laura Marling, Emmy The Great, etc) pode ser uma proposta de tiro curto: se a execução for medíocre, a duração será a mesma do interesse e badalação em torno de qualquer coisa nos dias de interwebs: ontem já faz tempo e não interessa. A duplinha de Sheffield - terra de boas bandas, diga-se - evita os clichês ao se apoiar em uma confiança monstro e uma verdadeira paixão pelo pop perfeito. O que eles fizeram em Paradise já merece muito mais do que habitar o sistema de som de paraísos hipster. Use seus fones de ouvido e aproveite. 8/10
Em Two Cousins já temos um exemplo das qualidades do grupo: Rebecca possui bela voz, entoada com intensidade volátil; as harmonias serpenteiam com facilidade; o ataque instrumental preenche espaços e conduz ao elemento mais abrasivo porque há ritmo: sem tirar as mãos do pop, o Slow Club apresenta uma canção capaz de cativar também pela criatividade. If We're Still Alive não estaria fora de lugar em um disco do Givers, toda trabalhada na percussão insistente e riffs sujos: sem mimimi, só curtição. A balada Never Look Back funciona de um jeito que só boas canções podem funcionar: é um dueto com linhas de baixo roubadas de qualquer soul antigo, estaladas de dedo e refrão manjado: a sensação é de que você já ouviu isso antes, mas mesmo assim é bonita e vibrante. Where I'm Waking mistura a energia da abordagem mais agitada com a reflexão melódica característica da banda, Rebecca entregando um "I can see you're looking at me/ You've got the brains/ I've got the body...Lay me down/please lay me down."
A fórmula encontrada aqui parece simples: sem fugir ou temer suas influências, o Slow Club se concentrou em escrever boas canções: não há reinvenção e experimentação, mas também não há brecha para momentos anêmicos: cada faixa de Paradise traz consigo uma boa dose de emoção. O folk quieto de Hackney Marsh e a exuberância de Beginners possuem a mesma vocação para saltar aos olhos - ou ouvidos - mais espertos graças ao entrosamento entre Watson e Taylor na construção das ambiências sonoras. You, Earth Or Ash é uma madrugada pós-tudo sintonizando uma rádio AM encapsulada em forma de canção: o verso "I'm exhausted" é cantado com tamanha emoção por Rebecca que é um daqueles pequenos momentos que engrandecem um álbum. O folk eletrificado em The Dog, adornado pela bateria dura, monotemática de Rebecca e um refrão de dar soquinhos no ar podem fazer alguém engasgar com o frapuccino.
Trabalhar em um campo já repleto de bandas (o universo "indie" do folk-pop inglês: Mumford And Sons, Noah And The Whale, Stornoway, Johnny Flynn, Laura Marling, Emmy The Great, etc) pode ser uma proposta de tiro curto: se a execução for medíocre, a duração será a mesma do interesse e badalação em torno de qualquer coisa nos dias de interwebs: ontem já faz tempo e não interessa. A duplinha de Sheffield - terra de boas bandas, diga-se - evita os clichês ao se apoiar em uma confiança monstro e uma verdadeira paixão pelo pop perfeito. O que eles fizeram em Paradise já merece muito mais do que habitar o sistema de som de paraísos hipster. Use seus fones de ouvido e aproveite. 8/10
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Feist - Metals
Leslie Feist possui uma folha corrida no circuito independente do Canadá, já que circulou por bandas diferentes e menos conhecidas desde os anos 90, no cultuado Broken Social Scene, com a Peaches e até mesmo já teve composição reinventada pelo inglês James Blake. Mas a maioria das pessoas vai se referir á moça como "fofinha do indie-pop", porque seu álbum lançado em 2007, The Reminder, alcançou as paradas impulsionado pelo hit 1234, que ilustrou propaganda da Apple e rendeu vídeozinho viral. Parece que o sucesso trouxe algum tipo de reflexão, já que Feist só retornou com novo trabalho agora: Metals, e o que o disco oferece é algo que funciona como um contraponto mais introspectivo e dark, deixando o brilho leve do trabalho anterior para trás.
The Bad In Each Other inicia com andamento marcado por bateria e lamentos carregados até encontrar um refrão adornado por arranjos de cordas, num joguete que serve de parâmetro para o clima do disco: perfil mais quieto, crescendos menos óbvios, arranjos adequados e sem exageros e letras tristes. Sombra, luz, sombra; Leslie Feist sabe adequar seu alcance vocal e sua intuição para esse objetivo. Graveyard é mais homogênea, mas igualmente bem construída e bela. How Come You Never Go There traz a insatisfação com a covardia nas relações humanas e sinaliza para um momento mais animado ritmicamente do álbum: a música seguinte, The Circle Married The Lines, traz violinos tensos, quebra com coral gritando "A Commotion!" e refrão pegajoso. Nenhuma surpresa que a grandiosidade seja deixada de lado em Bittersweet Melodies, uma simples, low key canção levada por poucos e esparsos elementos: esse é um disco de introspecção não forçada. Anti-Pioneer, de trôpega levada waitsiana é um dos destaques da parte final de Metals. Cicadas And Gulls é só folk mesmo, mas não um arremedo Starbucks-style, mais para aquele esquelético instrumental que te carrega pra dentro das letras e do vocal do artista. A quietude fecha com Comfort Me - Feist despida e crua e Get It Wrong, Get It Right, balada cristalina e efetiva.
A menina fofa do indie está mais pra aquela que se esgueirava no underground de Calgary com sua banda adolescente Placebo (não aquela do Brian Molko) ou a "Bitch Lap Lap" da Peaches. De uma maneira adequada: seu senso de pop bem trabalhado permanece, mas com um coração sujo por dentro. 8/10
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Eleanor Friedberger - Last Summer

Metade do cultuado Fiery Furnaces, Eleanor lança seu primeiro disco solo. A banda continuará viva, mas Last Summer pode ser um passo adiante com potencial para ofuscar futuros lançamentos do Fiery Furnaces. Com mais de dez anos de prolífica carreira, o grupo de Eleanor e seu irmão Matthew sempre explorou a maior quantidade de referências e experimentalismos dentro dos álbuns, com resultados que sempre intrigavam: é como se as canções do Fiery Furnaces explorassem pontos dissonantes e enterrassem um brilho melódico nunca totalmente exposto.
Eleanor trabalhou no disco praticamente sozinha, sem mostrar o processo para seu irmão e parceiro de composição. Um desafio a mais, que resultou em um disco que inverte o processo experimental: é um compêndio de brilhantismo pop, que esconde pequenos desafios dentro das canções. Dessa forma soa mais maduro e emocionante do que os oito discos lançados pela dupla de Chicago (vivem em Nova Iorque).
My Mistakes abre com excelência um disco que reserva ao ouvinte um bom número de surpresas e ganchos: como uma aventura new wave de aceno ao rock setentista também, a música encaixa arranjos tão fluidos que surpreendem (o sax se inclui ao invés de interromper histrionicamente a canção) . Inn Of The Seventh Ray é construída como uma canção glam mas passeia por novos territórios e despeja climas sobrepostos, com partes diferentes sendo inseridas com precisão; Heaven escancara a ambiência mais sessentista e soft, com pés na psicodelia e riqueza de instrumentação. Roosevelt Island começa com cheiro de disco music decadente com seu baixo de funk branco mas se desnuda no refrão com violões e sintetizadores cheios de vapor. One-Month Marathon mostra Eleanor languidamente cantando "queria que fosse novamente apenas você, eu e Liza...posso ver através de seu espelho?...não estarei vestindo absolutamente nada " enquanto o relato é levado por uma base acústica que é acompanhada por batida marcada e slide guitars. Owl's Head Park te leva para a metrópole ao som de arranjos delicados, entre o orquestral contido e Eleanor cantando livremente como uma Patti Smith jovem.
Last Summer é dos mais intrigantes discos do ano, um daqueles que explora aspectos musicais e sensoriais a cada canção sem perder de vista um controle coesivo; Eleanor possui um repertório sólido, de canções bem construídas, mas adiciona diversos pedaços de beleza melódica com mais do que meros enfeites, mas verdadeiros regalos inseridos ao longo do álbum. Invertendo a lógica de sua banda (experimentalismo com aceno pop), Eleanor se mostra uma compositora de rara habilidade ao combinar pop objetivo e direto com instrumentação e arranjos de um subjetivismo riquíssimo. 8,5/10
sábado, 9 de julho de 2011
Nana Rizinni - I Said

Naná Rizzini já havia lançado um EP chamado Bacon Eggs que chamou a atenção pela diversidade e apelo pop das canções. Pegada rocker e boas batidas eram os ingredientes daquele material. Baterista de formação, Naná desenvolveu canções mais robustas para seu álbum de estréia, I Said. Com o auxílio do produtor Plínio Profeta e de gente como Tiê, Pedro Granato e Karina Buhr, I Said possui dez canções bem resolvidas e estilisticamente diversas.
I Don't Care abre o disco mesclando vocais processados e guitarras sujas, com batidas marcadas: um pop dançante e áspero, com cara de hit. A sequência de Vertigem (rock quente de toques psicodélicos) e a balada Triste (climática, dark) começam a mostrar ao ouvinte que Naná maneja com habilidade aspectos musicais diferentes. Better Than Nothing volta ao pop, dessa vez com toques ensolarados. Homenagem, composição em parceria com Tiê, é uma música sinuosa e cheia de fumaça, intoxicante. Estúpida ganhou um clipe caprichado e também capricha nos arranjos. Stop Spending volta ás batidas dançantes e divertidas; Nice Figure, Dangerous Heart é um rock de sotaque indie nas guitarras e gruda como chiclete. As duas últimas canções não poderiam ser mais diferentes: a minimalista Busy In The City é seguida do funk de guitarras processadas de Ciranda do Incentivo (composição de Karina Buhr).
Temos aqui uma coleção de músicas que se insinuam em diferentes vertentes, mas possuem uma amarração que vai além da produção acertada: Naná não atira para todos os lados por falta de personalidade; I Said soa bastante consistente e talvez apenas reflita a personalidade musical da compositora: despojada, de veia rocker mas com dois pés no pop. 8/10
Baixe o disco no site oficial da Naná.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O brilho de Zá

Fui pego no contrapé da desinformação quando percebi que não conhecia o som de Jade Coelho, ou simplesmente Zá. Na realidade, palavras aqui e ali a recomendavam. E a garota não decepciona. Dona de voz agradável, suas canções passeiam pelo rock (a base de seu som) mas são informadas por apelo pop inegável. Há acenos para o soul e climas jazzy. Mas o mais bacana é que Zá não soa pretensiosa: há uma confiança nas letras bem montadas e no jeito quase sinuoso de cantar. Ela tem hits prontos como É Tão Bom Quando Não Há Chance De a Noite Ser Ruim; cria um clima ensolarado em Esse Som, com seus tecladinhos intermitentes; é misteriosa e intensa na quieta/barulhenta Da Diplomacia; deliciosamente pop em Não há Trabalho Mais Importante Que Nós Dois. Nenhuma referência óbvia percorre as canções, apenas uma demonstração de personalidade e criatividade. Tipo a equivalência musical de uma dose extra e instantânea de serotonina.
Ouça aqui: http://www.oinovosom.com.br/za ou aqui: http://www.myspace.com/zacoelho
domingo, 16 de janeiro de 2011
Burial, o Proto- James Blake

James Blake está carregando a esperança pop britânica esse ano. Com seu álbum de estréia já gerando um grande fórum global de discussões em blogs e revistas:( é ótimo? é uma decepção? é um gênio? é uma enganação?). Realmente, a crítica musical inglesa pretende que Blake seja a face mais acessível de anos trabalhados em gêneros e sub-gêneros da eletrônica, mas que nunca verdadeiramente ultrapassaram a barreira para o mainstream.
James Blake é pianista e bom vocalista, além de produtor. Possui boa imagem, pode ser mesmo bem sucedido nesse novo estilo mais quieto de se fazer música. Mas é difícil imaginar o novo darling existindo sem a presença de Burial. Quem é Burial? Produtor do sul de Londres, avesso a entrevistas e aparições públicas, o músico foi talvez um dos primeiros a trazer elementos do underground para audições que poderiam se metamorfosear em um tipo de pop intrigante.
Seus dois álbuns foram altamente aclamados pela crítica - Burial (2006) e Untrue (2007), embora tenham falhado em escalar as paradas no Reino Unido. De fato, surgindo de uma tipagem sanguínea de Drum'n'Bass, 2-step, garage, house e ambient (a grosso modo, a fórmula química do dubstep), Burial construiu uma personalidade sônica bem definida: batidas quebradas e entrelaçadas, baixo fantasmagórico, efeitos vocais, desenhos melódicos imprevisíveis, teias sonoras de raiz dark e espaçada. Sedimentou um caminho para que, dentro desse universo, surgissem elementos diferentes. Tornou palatável - e atraente - um arquétipo sonoro que poderia encaixar muita coisa. Crooners como James Blake e Jamie Woon, por exemplo. O último já recebeu um remix de Burial.
Traçando um caminho inverso ao pessoal da eletrônica dark americana - que tenta ser o mais distante possível da aceitação, a começar pelos nomes inpronunciáveis das bandas - o pop eletrônico inglês parece se aproximar do mainstream através de figuras que adicionam ao mix do dubstep doses de soul. O sucesso bastante provável desses nomes só aumenta a importância dos álbuns de Burial.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Everything Everything - Man Alive
As descrições do som dessa banda são tão variadas que, antes mesmo de ouvir o disco, voce coça a cabeça pensando: "Mais uma banda cheia de informação sem saber o que fazer com isso" ou "pretensiosos" ou, simplesmente "deve ser chato". Confesso que, na primeira audição, as concepções acima pareciam corretas: Harmonias vocais pomposas, batidas eletrônicas, ocasionais apelos ao afro-pop, teclados demais, letras cheias de citações...um art-pop bem produzido e sem alma. Mas esse pessoal do norte da Inglaterra tinha mais a oferecer. Uma nova audição permitiu a revelação de camadas refinadas de um pop mais esperto do que "inteligente". Parte do DNA do Everything Everything reside em outros construtores de canções multifacetadas: XTC e Blur , cada qual operando em seus próprios ambientes, experimentaram a mutação da tradicional linha genealógica da música britânica. O EE nasceu em outro ambiente, em um cenário já pouco definido, fazendo com que os delírios de testar a elasticidade e os extremos do pop soassem diferentes. De fato, difícil alinhar essa banda com outras contemporâneas: Field Music, pelas harmonias vocais e classicismo melódico; Yeasayer, pelo psych-electro-pop; Vampire Weekend pela aproximação com as cores mais oitentistas do world-pop. Exceto que Man Alive não é nada parecido, como álbum mais do que canções separadas, com essas outras bandas. Talvez ser cabeçudo e nerd exija um certo grau de coragem e auto-confiança na música: conhecer tanta coisa e não ter vergonha dessa obsessão pode acabar resultando em uma banda apreciativa e fria. Juntar isso com talento e certa arrogância pode acabar como um caleidoscópio; o Everything Everything é dançante sem ser descarado, pop sem referências muito óbvias, e toca como uma banda de indie rock, com desapego e suor em doses certas. MY KZ YR BF e Schoolin' chacoalham sutilmente, Qwerty Finger é frenética e coloca frente a frente os vocais harmonizados em trio com um começo rock para desaguar num final inesperado; Sufragette Sufragette é um Foals fazendo jam com o Queens Of Stone Age(!?); Leave The Engine Room é bonita e desacelerada; Impressiona que, apesar desses pontos altos se destacarem, as outras músicas não são apenas coadjuvantes menores, há sempre uma emoção diferente reservada para aqueles que suportarem um inicial estranhamento. Nada mal para um debut; á sua própria maneira, Man Alive é um delicioso prato a ser degustado com calma. 8/10
Marina And The Diamonds - Shampain

Palavras não são necessárias quando essa galesa chamada Marina Lambrini Diamandis aparece cantando seu novo single Shampain: como o planeta ainda aprecia estrelas pop cheias de pose e nenhum talento enquanto Marina arrasa a cada passo dado sem ser percebida pelo grande público é um mistério. Mas aqui nós a amamos:
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Hurts - Happiness

Todo mundo sabe que, quando certas portas são abertas no mundo pop, muita gente aproveita a oportunidade de sucesso. Ano passado, o synth pop oitentista reviveu mais notavelmente pela dupla La Roux: de promessa á escalada na parada pop em poucos meses. E essa enxurrada de revivalistas do sintetizador não pára, desde aqueles que enfeitam com barulhinhos até os mais descarados copiadores. Bem, quando a dupla de Manchester Hurts foi escolhida entre as promessas para 2010 pela BBC poucos se entusiasmaram. O visual de Theo Hutchraft (vocais) e Adam Anderson (synths) nas fotos promocionais sugeria algo asséptico, com as roupas alinhadas e gel nos cabelos. Uma aproximação demasiada á paródia? Agora que Happiness, álbum de estréia da dupla finalmente é lançado podemos tirar essa dúvida. E que surpresa descobrir que nesse mundo criado pelos mancunianos sobra espaço para uma música que, como o melhor pop, é repleta de referências, mas consegue ser vibrante e autêntica. Desde a primeira canção, Silver Lining, notamos as qualidades do grupo: introdução dark a lá Depeche Mode, linhas melódicas bem definidas, vocal potente de Theo, letras simples e grudentas, melancolia e amarração sem arestas. Impressão: não conseguirão manter o nível pelas próximas dez faixas. E então entra Wonderful Life, single já conhecido, mas ainda soando interessante após algumas audições: aqui a alquimia do Hurts funciona brilhantemente: dance com lágrimas nos olhos, de novo, nas mãos de uma banda de Manchester. A sequência seguinte joga pesado com três baladas que apelam sem nenhuma vergonha para o melodrama, mas com tal habilidade e sim, vale ressaltar, ótimo trabalho vocal de Theo: o cara parece ser um grande bandleader. Os refrões são imensos, como se juntassem o ego de Bono Vox e Chris Martin multiplicados. E, ainda que voce saiba que provavelmente ouvirá tanto essas músicas nos próximos meses que irá odia-las, por enquanto é possível apertar o repeat sem nenhuma culpa. A parte final do disco cresce de forma menos bombástica, como se a banda tirasse o pé para não ferir o ouvinte mais sensível ao poder do pop; mesmo assim, há um dueto incrível de Theo com a Kylie Minogue em Devotion. Esses caras entraram no jogo não para receber recomendações de melhor música da Pitchfork, mas para concorrer no panteão de figuras como Bieber e Gaga. Com tamanha articulação, não há problema algum nisso. 8/10
segunda-feira, 5 de julho de 2010
ceo - White Magic
Erik Berglund é o cara por trás desse nome em letras minúsculas: ceo. Berglund já lançou coisas sob a alcunha Tough Alliance em parceria com Henning Furst. Eles também fundaram o selo Sincerely Yours, casa de bandas como o JJ. Mas o ceo é só de Erik. Pouco afeito a revelaçoes sobre seus próprios projetos musicais, Erik adora comentar sobre experiências reveladoras, mágica, o sentido da vida, reflexoes...obviamente não estava muito entusiasmado em ouvir "White Magic"depois de ler tanta bobagem. Estava esperando algum tipo de viagem new age tocada por gente de rabo de cavalo. No entanto, esse álbum reflete essa personalidade excêntrica de seu autor sem exageros ou aproximações ao ridículo. Sob uma base de instrumentação eletrônica, surgem instrumentos convencionais e harmonias vocais sessentistas. A construção dessa teia é que intriga: há choques estilísticos ocorrendo aqui, e surpresas que cativam o ouvinte: maior contradição é dizer que esse aparente excesso de informação é transmitido de forma fluida, como se realizado sem esforço. Só se chega a esse estágio através de uma mente criativa e perfeccionista. O disco não é longo, só possui oito músicas e Berglund parece ter calculado isso também: a cada nova audição percebemos novos detalhes sem enjoar com a familiaridade no formato das canções. Arranjos orquestrais convivem com sons de espadas, violões, barulhinhos... as letras são baseadas no campo das sensações tão propagadas por Erik nas entrevistas; do tipo que podem relatar fusões químicas naturais em nosso cérebro ou induzidas por substâncias, das emoções verdadeiras ou criadas pela mente; o balanço entre o lado escuro e os feixes caleidoscópicos de luz. Viajando ao estilo do músico, diríamos que esse é o primeiro álbum de pop eletrônico-psicodélico-post pop-celestial de 2010. A última música é na verdade um hino cantado pelas crianças ao fim das aulas num país imaginário, aonde existe o sol da meia noite, loiras de olhos azuis são maioria, as pessoas comem carne de rena e um dos filhos do Garrincha vive...Espera um pouco... 8,5/10
sábado, 3 de julho de 2010
Lovely Marina
Um dos melhores discos do ano até agora é "The Family Jewels", dessa cantora galesa chamada Marina Lambrini Diamandis, AKA Marina. Para os não convertidos que acharam o disco "polido" demais (pop?!), aqui vai uma apresentação ao vivo, "stripped down" de "Hollywood"; apaixone-se:
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Onde Está A Raiva?
Foto de Carl Heindl na reunião do G-20 no Canadá, para a revista Vice.
Dê uma olhada no mundo hoje. Realmente. Estamos todos boquiabertos de o quanto a tecnologia está promovendo mudanças. Elas estão ocorrendo mais rapidamente do que a maioria de nossos cérebros consegue processar. Ao mesmo tempo, a economia mundial parece mais um joguete tocado por investidores chapados de cocaína. Massas migratórias lançam choques culturais como socos no estômago das sociedades antes homogêneas. Pessoas se sentem oprimidas pelo cenário incerto. Políticos reacionários mostram suas carinhas sem vergonha. Mídia controlada por lobbies comerciais enterram a reputação do bom jornalismo. Protestos pipocam pelas cidades. Sem mencionar conflitos antigos se tornando mais violentos e insanos. Cenário perfeito. Pelo menos para o surgimento de gente fazendo músicas que refletem, reagem a esse cenário. Assim tem sido, desde o século passado, quando desde o blues negro pobre, o jazz dos beats, o rock contra a América careta, e a partir daí suas vertentes diversas demonstraram que toda mudança nesse planeta gerava uma onda de criatividade pop. Ou, que política e sociedade influenciavam a cultura popular de alguma forma. Muitos jovens ingleses enxergavam tristeza e raiva através de bandas que cresceram na era Thatcher de desemprego e exclusão. As coisas começaram a se tornar mais cínicas quando, nos anos noventa, o que movimentava a música eram bandas que tornavam claro que aquela geração não via inimigos, só sentia tédio e apatia. Mas, estamos em 2010. As tendências extremas de pensamento já estão se manifestando em forma de pronunciamentos racistas, agrupamentos conservadores e violência patrocinada. Sem falar no colapso econômico recente. Já é hora de isso tudo servir de combustível para gente raivosa fazer música. Mas, estranhamente, essa gente não está mostrando sua cara. Se eles existem, estão com os pés fincados em alguma forma engessada de música niilista, sem apelo ao grande público. Ou então estamos condenados a assistir o novo clipe "chocante" da Lady Gaga como sinônimo dos anos 2010. Não há mais tribos musicais porque a distribuição está democratizada; ok: é legal ver bandas bem diferentes duelando no mesmo espaço. Mas ninguém parece querer incendiar tudo só pra ver o que acontece. Nem falo de posições políticas nas letras somente, mas sim de uma demonstração em forma de som, estilo e atitude, claro que com boa dose de talento. De boas intençoes não sobrevive o pop. Por isso espero com grande expectativa o novo disco da M.I.A.: pra mim, ela é representante de alguma esperança de sangue nas veias nas paradas de sucesso. Inglesa de origem cingalesa, dissidente, agitadora, global e de linguagem acessível. Já vi muita gente criticando seu violento clipe para "Born Free". Também já falaram que ela é hipócrita, ou que sua música não é boa. Alguns desses críticos parecem simpáticos a Lady Gaga. Gostos musicais a parte, vejo um pouco desse cinismo conservador aqui: a questão é que uma figura "estranha" como Maya, de "terceiro mundo" e pele escura não pode se servir de marketing chamativo. Eu não me interesso: "Born Free" sampleia Suicide e possui letras assim: "With my nose to the ground/I found my sound...I dont wanna live for tomorrow/I push my life today". Isso te deixa preparado pra enfrentar um dia difícil. Outra nova canção, "XXXO", é o hit que as estrelas pop gostariam de fazer, grudenta e que discute as relações humanas filtradas pela tecnologia dos Smartphones. Em resumo: mais raiva, menos cinismo. Ou Fuck Gaga, M.I.A. rules!
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