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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Little Dragon - Ritual Union


Em um mundo pop habitado de forma populosa por bandas de origem eletrônica com pés nos aspectos etéreo e cerebral - com resultados enormemente diversos em qualidade - mas contando com a condescendência da crítica, que acredita estar diante de algum tipo de sofisticação e inteligência musical acima do seu usual indie de guitarras, colocando quase tudo no mesmo patamar -, é raro ouvir algo que realmente permite alguma sensação residual. Aqui se enquadra o grupo sueco Little Dragon, que chega ao terceiro album com a mais consistente coleção de canções de sua carreira.

Trabalhando com beats secos e intervenções de teclados com economia, a banda reverte uma tendência de entusiasmo com novas tecnologias que leva produtores e músicos a perder o ponto ao utilizar ferramentas eletrônicas; a música do Little Dragon se baseia em estrutura pop sólida (músicas boas e variadas) e uma vocalista capaz de cativar o ouvinte. O adorno eletrônico é usado com inteligência. Simples e efetivo. A faixa título abre o disco reunindo elementos minimalistas; Shuffle A Dream, um synth-pop mais marcadão ainda assim não abusa dos efeitos e deixa Yukimi Nagano destilar sua habilidade de controle e entrega vocal. Precious é uma vagarosa peça misteriosa, uma canção que mostra o que uma boa química pode fazer por uma banda: o jogo entre as batidas e teclados funciona criando uma dimensão maior do que os esparsos elementos utilizados sugerem.

Ritual Union satisfaz plenamente o fã do electro-pop ao prestar especial atenção aos detalhes e deixar o exagero de lado, focando em composições sólidas. 7,5

Little Dragon 'Ritual Union' (Live on Fallon) from lentetijd on Vimeo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ceo - White Magic



Erik Berglund é o cara por trás desse nome em letras minúsculas: ceo. Berglund já lançou coisas sob a alcunha Tough Alliance em parceria com Henning Furst. Eles também fundaram o selo Sincerely Yours, casa de bandas como o JJ. Mas o ceo é só de Erik. Pouco afeito a revelaçoes sobre seus próprios projetos musicais, Erik adora comentar sobre experiências reveladoras, mágica, o sentido da vida, reflexoes...obviamente não estava muito entusiasmado em ouvir "White Magic"depois de ler tanta bobagem. Estava esperando algum tipo de viagem new age tocada por gente de rabo de cavalo. No entanto, esse álbum reflete essa personalidade excêntrica de seu autor sem exageros ou aproximações ao ridículo. Sob uma base de instrumentação eletrônica, surgem instrumentos convencionais e harmonias vocais sessentistas. A construção dessa teia é que intriga: há choques estilísticos ocorrendo aqui, e surpresas que cativam o ouvinte: maior contradição é dizer que esse aparente excesso de informação é transmitido de forma fluida, como se realizado sem esforço. Só se chega a esse estágio através de uma mente criativa e perfeccionista. O disco não é longo, só possui oito músicas e Berglund parece ter calculado isso também: a cada nova audição percebemos novos detalhes sem enjoar com a familiaridade no formato das canções. Arranjos orquestrais convivem com sons de espadas, violões, barulhinhos... as letras são baseadas no campo das sensações tão propagadas por Erik nas entrevistas; do tipo que podem relatar fusões químicas naturais em nosso cérebro ou induzidas por substâncias, das emoções verdadeiras ou criadas pela mente; o balanço entre o lado escuro e os feixes caleidoscópicos de luz. Viajando ao estilo do músico, diríamos que esse é o primeiro álbum de pop eletrônico-psicodélico-post pop-celestial de 2010. A última música é na verdade um hino cantado pelas crianças ao fim das aulas num país imaginário, aonde existe o sol da meia noite, loiras de olhos azuis são maioria, as pessoas comem carne de rena e um dos filhos do Garrincha vive...Espera um pouco... 8,5/10