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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Little Dragon - Ritual Union


Em um mundo pop habitado de forma populosa por bandas de origem eletrônica com pés nos aspectos etéreo e cerebral - com resultados enormemente diversos em qualidade - mas contando com a condescendência da crítica, que acredita estar diante de algum tipo de sofisticação e inteligência musical acima do seu usual indie de guitarras, colocando quase tudo no mesmo patamar -, é raro ouvir algo que realmente permite alguma sensação residual. Aqui se enquadra o grupo sueco Little Dragon, que chega ao terceiro album com a mais consistente coleção de canções de sua carreira.

Trabalhando com beats secos e intervenções de teclados com economia, a banda reverte uma tendência de entusiasmo com novas tecnologias que leva produtores e músicos a perder o ponto ao utilizar ferramentas eletrônicas; a música do Little Dragon se baseia em estrutura pop sólida (músicas boas e variadas) e uma vocalista capaz de cativar o ouvinte. O adorno eletrônico é usado com inteligência. Simples e efetivo. A faixa título abre o disco reunindo elementos minimalistas; Shuffle A Dream, um synth-pop mais marcadão ainda assim não abusa dos efeitos e deixa Yukimi Nagano destilar sua habilidade de controle e entrega vocal. Precious é uma vagarosa peça misteriosa, uma canção que mostra o que uma boa química pode fazer por uma banda: o jogo entre as batidas e teclados funciona criando uma dimensão maior do que os esparsos elementos utilizados sugerem.

Ritual Union satisfaz plenamente o fã do electro-pop ao prestar especial atenção aos detalhes e deixar o exagero de lado, focando em composições sólidas. 7,5

Little Dragon 'Ritual Union' (Live on Fallon) from lentetijd on Vimeo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Hurts - Happiness



Todo mundo sabe que, quando certas portas são abertas no mundo pop, muita gente aproveita a oportunidade de sucesso. Ano passado, o synth pop oitentista reviveu mais notavelmente pela dupla La Roux: de promessa á escalada na parada pop em poucos meses. E essa enxurrada de revivalistas do sintetizador não pára, desde aqueles que enfeitam com barulhinhos até os mais descarados copiadores. Bem, quando a dupla de Manchester Hurts foi escolhida entre as promessas para 2010 pela BBC poucos se entusiasmaram. O visual de Theo Hutchraft (vocais) e Adam Anderson (synths) nas fotos promocionais sugeria algo asséptico, com as roupas alinhadas e gel nos cabelos. Uma aproximação demasiada á paródia? Agora que Happiness, álbum de estréia da dupla finalmente é lançado podemos tirar essa dúvida. E que surpresa descobrir que nesse mundo criado pelos mancunianos sobra espaço para uma música que, como o melhor pop, é repleta de referências, mas consegue ser vibrante e autêntica. Desde a primeira canção, Silver Lining, notamos as qualidades do grupo: introdução dark a lá Depeche Mode, linhas melódicas bem definidas, vocal potente de Theo, letras simples e grudentas, melancolia e amarração sem arestas. Impressão: não conseguirão manter o nível pelas próximas dez faixas. E então entra Wonderful Life, single já conhecido, mas ainda soando interessante após algumas audições: aqui a alquimia do Hurts funciona brilhantemente: dance com lágrimas nos olhos, de novo, nas mãos de uma banda de Manchester. A sequência seguinte joga pesado com três baladas que apelam sem nenhuma vergonha para o melodrama, mas com tal habilidade e sim, vale ressaltar, ótimo trabalho vocal de Theo: o cara parece ser um grande bandleader. Os refrões são imensos, como se juntassem o ego de Bono Vox e Chris Martin multiplicados. E, ainda que voce saiba que provavelmente ouvirá tanto essas músicas nos próximos meses que irá odia-las, por enquanto é possível apertar o repeat sem nenhuma culpa. A parte final do disco cresce de forma menos bombástica, como se a banda tirasse o pé para não ferir o ouvinte mais sensível ao poder do pop; mesmo assim, há um dueto incrível de Theo com a Kylie Minogue em Devotion. Esses caras entraram no jogo não para receber recomendações de melhor música da Pitchfork, mas para concorrer no panteão de figuras como Bieber e Gaga. Com tamanha articulação, não há problema algum nisso. 8/10

sábado, 21 de agosto de 2010

RIP Charles Haddon



O trio de synth-pop/ indie-electro inglês Ou Est Le Swimming Pool é uma das apostas da crítica musical britânica para esse ano. O disco de estréia Christ Died For Our Synths, deve ser lançado em Outubro. Depois de alguns singles de sucesso, a banda passou a frequentar o line-up de vários festivais. Um deles é o Pukkelpop, na Bélgica. Essa introdução poderia ser mais uma resenha de um grupo novato, não fosse a notícia de que Charles Haddon, vocalista, não sobreviveu a uma queda, após se jogar de uma torre atrás do palco, caindo sobre carros estacionados no terreno anexo durante o festival. O fato ocorreu nessa sexta, 20 de Agosto. A polícia belga trata o caso como suicídio. Daqui por diante surgirão informações sobre Charles, e todo o circo da glamurização da morte de um jovem artista estará funcionando. Por enquanto, fica o registro do bom single Dance The Way I Feel, e a sensação de que Charles foi mais um a se juntar ao estúpido clube.