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segunda-feira, 5 de março de 2012

Ouça a colaboração Burial + Four Tet


Há muito tempo atrás era comum a ansiedade pela espera de um lançamento e a dificuldade em conseguir o acesso às mídias até então físicas da relação entre música e ouvintes. Por sorte os tempos são outros, e surpresas agradáveis chegam facilmente aos ouvidos mundo afora. Um simples tuíte pode mudar seu humor em um domingo preguiçoso. O presente da vez foi dado por Kieran Hebden aka Four Tet ontem (04/03) através de seu twitter oficial: um link para o streaming da canção Nova, uma colaboração do Four Tet com o produtor Burial. Dois dos mais incensados nomes da música eletrônica atual reunidos. Resultado?

A faixa demonstra uma boa química entre os criadores, reunindo características de cada um deles: Burial constrói seu caminho através de uma distribuição de batidas agressivas e soturnas, abstratas. O Four Tet utiliza crescendos melódicos mais orgânicos e desacelerados. Ambos adoram sobreposições, camadas e sutilezas, criando paisagens sonoras ricas. Música altamente sensorial e imagética. Nova talvez não realize plenamente a grandiosidade que o encontro sugere, mas ainda assim é mais do que mera curiosidade. Sob aparente simplicidade, muitas qualidades podem ser encontradas: com andamento bem marcado pelos beats, há uma dinâmica flutuante de vozes e teclados distorcidos e outras inserções hipnóticas. Ouça a colaboração abaixo:



O Four Tet estará no Sónar São Paulo em Maio.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Burial - Street Halo


A volta do Burial após o clássico disco Untrue (2007) veio em forma de single: Street Halo é a música, acompanhada por mais duas canções novas de um dos mais criativos manipuladores da eletronica moderna. Formando a base do 2-step e da música soturna e cheia de graves, o retorno de Burial deve ser celebrado como uma conjunção adequada de fatores que estão levando o tipo de som que ele ajudou a criar para um público maior: James Blake, Jamie Woon e Katy B, que já foram tema de post por aqui, lançaram seus debuts recentemente, criando um atalho para a inserção do underground eletrônico no pop moderno.

Street Halo continua a saga de Burial em busca de uma química inovadora e brutal: é o som de uma festa rolando em algum galpão abandonado, perto de uma linha de trem, sendo ouvida através de paredes ou sub-aquaticamente: há tantas distorções e barulhos e incômodos, sons mais próximos de uma vida urbana caótica e imprevisível, organizadas de forma harmônica e que te fazem sentir a tensão e a ansiedade tanto quanto te levam hipnoticamente para um confortável chá em dia chuvoso. Uma música elástica e abrangente, que se movimenta de forma imprevisível. Belo prenúncio do que esse cara ainda pode produzir.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Burial, o Proto- James Blake


James Blake está carregando a esperança pop britânica esse ano. Com seu álbum de estréia já gerando um grande fórum global de discussões em blogs e revistas:( é ótimo? é uma decepção? é um gênio? é uma enganação?). Realmente, a crítica musical inglesa pretende que Blake seja a face mais acessível de anos trabalhados em gêneros e sub-gêneros da eletrônica, mas que nunca verdadeiramente ultrapassaram a barreira para o mainstream.

James Blake é pianista e bom vocalista, além de produtor. Possui boa imagem, pode ser mesmo bem sucedido nesse novo estilo mais quieto de se fazer música. Mas é difícil imaginar o novo darling existindo sem a presença de Burial. Quem é Burial? Produtor do sul de Londres, avesso a entrevistas e aparições públicas, o músico foi talvez um dos primeiros a trazer elementos do underground para audições que poderiam se metamorfosear em um tipo de pop intrigante.

Seus dois álbuns foram altamente aclamados pela crítica - Burial (2006) e Untrue (2007), embora tenham falhado em escalar as paradas no Reino Unido. De fato, surgindo de uma tipagem sanguínea de Drum'n'Bass, 2-step, garage, house e ambient (a grosso modo, a fórmula química do dubstep), Burial construiu uma personalidade sônica bem definida: batidas quebradas e entrelaçadas, baixo fantasmagórico, efeitos vocais, desenhos melódicos imprevisíveis, teias sonoras de raiz dark e espaçada. Sedimentou um caminho para que, dentro desse universo, surgissem elementos diferentes. Tornou palatável - e atraente - um arquétipo sonoro que poderia encaixar muita coisa. Crooners como James Blake e Jamie Woon, por exemplo. O último já recebeu um remix de Burial.

Traçando um caminho inverso ao pessoal da eletrônica dark americana - que tenta ser o mais distante possível da aceitação, a começar pelos nomes inpronunciáveis das bandas - o pop eletrônico inglês parece se aproximar do mainstream através de figuras que adicionam ao mix do dubstep doses de soul. O sucesso bastante provável desses nomes só aumenta a importância dos álbuns de Burial.