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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Villagers - Becoming A Jackal



Irlandês. Poético. Orquestral. Violões. Ah, tudo pra poupar o seu tempo: se não gostou de alguma(s) característica(s) listadas, não ouça Becoming A Jackal, debut da banda liderada pelo vocalista e compositor Conor O'Brien. Porque o que se ouve aqui é essencialmente o que bandas como os Frames e o Bell X1 desbravaram antes, tornando esse tipo de pop-rock elaborado, bem tocado e escrito uma espécie de gênero irlandês pós U2. As três primeiras músicas dão o tom e abrem o disco de forma surpreendente: I Saw The Dead é quase uma valsa orquestrada, hipnótica, cheia de nuances; a faixa que dá título ao álbum é um número acústico que não estaria fora de foco nessa nova onda folk britânica de Mumford And Sons e Stornoway: vai te envolvendo quase sem esforço; e Ship Of Promises engata uma controlada tensão na levada percussiva e lembra o melhor do Elbow. O nível de qualidade se mantem principalmente pela capacidade de O'Brien de criar imagens através de letras que, mesmo que não primorosas, embalam poeticamente o trabalho de sua banda: trabalho esse que melhora quando se percebe que a preguiça foi deixada de lado: os mais óbvios movimentos parecem estar sempre sendo evitados na linha melódica, ora preenchida por uma levada folk, ora cheia de espaços e silêncios como em Home. A alma de trovador folk + pop-rock aparece em momentos como That Day, que começa devagar e vai crescendo até encontrar um refrão pegajoso. Assim, caminhando entre o rock elaborado, o pop bem arranjado e o folk, o Villagers vai colecionando uma sequência impressionante de boas canções. Parece ás vezes menos espontâneo que o desejável, mas mesmo assim merece atenção: está indicado ao Mercury Prize desse ano. 7,5/10

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Laura Marling - I Speak Because I Can



Tivemos a lista dos indicados ao Mercury Prize, prêmio inglês normalmente associado a palavras como "respeitável" e "prestigioso". Nomes como Wild Beasts, The XX, Paul Weller e alguns que já foram recomendados aqui mesmo: Foals e I Am Kloot. Aqui começa outra recomendação; esse album, o segundo da jovem Laura saiu no começo do ano e já foi devidamente escrutinado por aí. Esperei um pouco para falar dele, esperando uma certa "maturação" das impressões que tive nas primeiras audições. E a impressão mais clara é que Marling cresceu como compositora de forma espantosa em um espaço de um disco e poucos anos: o twee pop folk do primeiro disco era bastante interessante, e já mostrava que a inglesinha podia estabelecer um caminho longevo. Mas nada poderia nos preparar para "I Speak Because I Can". Modulando seus alcances vocais, criando imagens em primeira pessoa ou como personagens, Laura parece compor sem esforço como uma encarnação moderna de Nick Drake. Não sabemos muito sobre quais atribulações ela passou em sua vida pessoal, exceto pelo fato de que Charlie Fink (do Noah And The Whale) demonstrou o quanto a separação dos dois o afetou: ele escreveu um disco inteiro sobre isso. Nada que Laura não possa expressar de sua própria maneira: ela parece estar vivenciando grandes descobertas, e compoe sobre isso como uma adulta. Parece simples, mas isso envolve algumas habilidades que só compositores especiais possuem: Boa melodista, equilíbrio nos arranjos, letras que envolvem e punch: ouvir isso aqui pode ser como um soco no estômago. Exemplo em "Hope In The Air": Why fear death/ be scared of living/ oh, hearts are small and ever thinning/ there is no hope ever of winning". Não exatamente a eloquência de seu compositor indie-padrão; a substância dessas músicas vai além de cantar sobre clichês de escuridão/devassidão/hedonismo, etc. Claro, precisamos do pop solúvel, fácil e descompromissado. Mas a ausência de grandes letristas no cenário atual faz crescer ainda mais a luz sobre Laura Marling. 8,5/10