Mostrando postagens com marcador Lívia Cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lívia Cruz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Melhores discos brasileiros de 2013 - Top 50


Foto por André Porto
   
Mais um ano bastante favorável na música brasileira; não apenas na quantidade de gêneros variados mas principalmente pela boa articulação entre nomes novos e lançamentos importantes de artistas já estabelecidos. Temos desde o peso do Facada, Black Coffins, Deaf Kids e Noala passando pela eletrônica do Cybass, Barulhista e Soul One até grupos de difícil segmentação como Vermes do Limbo e Passo Torto. Mas, acima de tudo, foi um ano bom para o rap com discos fortes de Karol Conká, Lívia Cruz, 3umSó, Rael e principalmente as obras incríveis de Emicida e Don L, que elevaram o nível pra geral. Daqui pra frente, muita gente vai suar pra acompanhar o ritmo desses dois. E que venha 2014! Lista elaborada por Eduardo Yukio, Letícia e Fuzzy Dunlop.


  1. Don L - Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L      review
  2. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui
  3. Passo Torto - Passo Elétrico
  4. Garotas Suecas - Feras Míticas          review
  5. Karol Conká - Batuk Freak
  6. Facada - Nadir
  7. Bárbara Eugênia - É o Que Temos      review
  8. Bonifrate - Museu de Arte Moderna     review
  9. Lívia Cruz - Muito Mais Amor        review
  10. Noala – Humo        review
  11. Deaf Kids – The Upper Hand
  12. Rodrigo Amarante - Cavalo
  13. 3umSó – Talibã             review
  14. Cacá Machado – Eslavosamba
  15. Do Amor - Piracema
  16. The Black Coffins - III. Graveyard Incantation EP
  17. Porto – Odradek
  18. Síntese & Distúrbio Verbal - Buracos ao Chão EP      review
  19. Clarice Falcão – Monomania             review
  20. Godasadog – Hoje
  21. Rael – Ainda Bem Que eu Segui as Batidas do Meu Coração
  22. Momo – Cadafalso
  23. Zeca Viana – Psicotransa
  24. Soul One - Pulso
  25. Cybass – Hop It! EP
  26. Barulhista – Café Branco
  27. Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra
  28. SLVDR – Fera Vischer EP
  29. Boogarins – As Plantas Que Curam
  30. Marcelo Jeneci – De Graça
  31. Blubell – Diva é a Mãe
  32. Lulina – Pantim
  33. Tribo da Periferia – 2. Último
  34. São Paulo Underground - Beija Flors Velho e Sujo
  35. Marcello Gugu – Até Que Enfim
  36. Guilherme Arantes - Condição Humana
  37. City Fuss - City Fuss
  38. Bemônio – Opscurum
  39. Zeca Viana – Psicotransa
  40. Vermes do Limbo - Adeus Igapó
  41. Glue Trip - Just Trippin EP
  42. Mahmundi - Setembro EP
  43. Projota - Muita Luz
  44. Wado - Vazio Tropical
  45. Dorgas - Dorgas
  46. Opala - Opala EP
  47. Castello Branco - Serviço
  48. CESRV - One Thousand Sleepless Nights
  49. Top Surprise - Klouds EP
  50. Digital Ameríndio - Intensos Animais Imperceptíveis

terça-feira, 30 de julho de 2013

Lívia Cruz - Muito Mais Amor (resenha)


A palavra mais apropriada para definir o disco de estreia da MC Lívia Cruz é "quente": a imagem e sensação mais recorrentes ao ouvirmos as onze faixas de "Muito Mais Amor" são relativas a universos (lírico e musical) que exalam calor. Ao destrinchar emoções conflituosas das relações afetivas, a cantora não abre mão da pegada forte do rap e evita clichês. 

Embebido em soul e R&B, o hip hop de Lívia - que solta a voz nas rimas fluentes e no canto com a mesma destreza - convence com boa variação de beats e na criação de atmosferas sonoras que ilustram habilmente as estórias descritas. A faixa-título conta uma superação de adversidades através da resiliência do amor como arma, separando o termo de aproximações com a meiguice; o coração aqui pode ser espinhoso. "Só Por Hoje" é a centelha fugaz, o carnal confundindo a mente, no ritmo de uma canção que se oferece dançante e pop. "Diamantes", com participação de Rashid, é uma balada moderna, envernizada por vocais melódicos e afiada pelos versos dos MCs. Difícil escolher possíveis singles de sucesso no disco, não pela falta de hits mas ao contrário pela abundância de potencial pop.

"Imensidão Azul" recolhe as garras e opta pelo andamento lento e sinuoso pra falar de desejo em ambiente altamente sensorial. Outra participação importante é a de Karol de Souza em "Sei Quem eu Sou", um duelo bonito entre vozes femininas dentro de um rap resvalando no grime com um recado: "Daqui de cima eu consigo ver tudo/as Mcs dominando o mundo." As duas últimas músicas são conhecidas: "Não Foi em Vão", escrita sobre o poema "Legítima Defesa" de Elizandra Souza, já rendeu um belo clipe e trata de desilusão e violência, o gosto amargo da contrariedade. O disco se encerra com "Ele é Jogador", dueto com Rael, outra faixa que já havia aparecido com um clipe; um reggae-pop redondo que parece um pouco deslocado da atmosfera mais densa das músicas anteriores, mas acaba sendo fecho mais otimista e leve para o trabalho.

Lívia Cruz percorreu um bom caminho até este "Muito Mais Amor", e sua intenção de retratar o amor em múltiplas facetas (a alegria, a dor, a atração sexual, a desilusão, etc.) funciona ao expor a habilidade nos flows, as escolhas corretas dos beats e evitar rebarbas em faixas enxutas e diretas. Em última análise, acaba sendo uma declaração de amor não linear, daquelas que dão voltas, ao rap e à música como um todo. 8/10            

Baixe o disco por aqui.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lívia Cruz: Transformando poemas, espalhando amor e combate


Lívia Cruz, cantora e MC (São Paulo via DF via Rio via Recife) já trabalhou com nomes importantes como Kl Jay e Costa a Costa, além de ter lançado uma elogiada Promo. Em 2012,  Lívia tem trabalhado em seu primeiro álbum (Muito Mais Amor), e já liberou o clipe de Não Foi em Vão, que vem gerando boa repercussão. Uma criação livre sobre o poema Legítima Defesa, de Elizandra Souza, a ótima canção possui produção de DJ Caíque. Demonstrando grande habilidade para tocar em questões agressivas por meio de nuances na voz e no flow, Lívia evita o simples lamento, apostando em uma ação assertiva de justiça na questão da violência contra as mulheres. Há beleza em Não foi em Vão, do tipo que surge mesmo quando o contexto é pesado e triste. Conversamos com ela sobre a canção, o clipe e o papel da imprensa no rap:

* Como surgiu a ideia de transformar o poema da Elizandra em canção?

Assim que eu li o poema pela primeira vez me comoveu muito, até eu escrever a musica se passaram meses, mas o poema me marcou demais e em uma noite de inspiração escrevi “Não foi em Vão”.

* A música adota um tom melancólico no início mas ganha contorno mais combativo no fim. Essa postura de indicar uma realidade sem o clichê da vitimização foi uma escolha consciente?

Otima pergunta! Foi totalmente consciente, tive bastante preocupação também que o conteúdo não ficasse “didático”, pois acho que esse é um dos fatores que afastam as pessoas de encarar essa triste realidade. Sempre que esse assunto é abordado causa vergonha e constrangimento, tanto nos que já viveram uma situação dessa natureza, quanto naqueles que vêem de fora. Minha intenção principal era de que as pessoas se identificassem de qualquer classe, cor ou gênero, mostrar que somos capazes de tomar as rédeas das nossas próprias vidas, não importa o tempo que demore, não importa o quanto nos submetemos a situações humilhantes, sempre é tempo de se transformar para o bem, por fim alfinetar a sociedade, no sentido de mandar uma mensagem radical: Queremos justiça!!

* O videoclipe mostra bem essa transição, da tristeza e decepção ao estado de reação e recuperação da autoestima através de imagens em que você demonstra domínio da linguagem visual. O quanto vc se envolve na produção dos clipes?

No caso de “Não Foi em Vão” o clipe veio pra complementar a música, sem aquelas imagens acredito que a mensagem não teria sido tão bem passada, Isso é mérito da diretora Alice Riff e do seu irmão Fabio Riff que criaram o clima perfeito, levaram uma equipe excelente pra realizar o trabalho. Eu criei o conceito junto com a Alice uma semana antes da filmagem, eu nem tinha gravado a faixa ainda, mas ela é uma pessoa tão apaixonada e focada que eu gravei na mesma semana pra que a gente pudesse gravar o vídeo. Acho que a maioria dos artistas quando compõe uma musica nova já imagina imagens, um clima e até mesmo um roteiro de clipe. “Não Foi em Vão” é o meu segundo vídeo oficial, antes teve “Vem pra perto de mim” do Diretor Rabu Gonzales, e pretendo lançar mais um ainda esse ano, eu gosto de todo esse processo de criação, de produção e espero estar cada vez mais envolvida na produção em todos os aspectos.

* Me parece que a grande mídia descobriu a produção do rap apenas mais recentemente; parte dessa "surpresa" é a presença de mulheres compondo, o que levou a matérias equivocadas, seja na aglutinação simplista de artistas diferentes ou na argumentação de que garotas criam música menos combativa. Concorda com isso? Se sim, como voce vê essa situação?

Eu concordo em parte, acho que a grande mídia sempre se atraiu pelo RAP, mas acho que o RAP só quis lidar com isso mais recentemente, exatamente pelo caráter combativo que o RAP tem (e sempre terá). Antes tínhamos uma postura mais retraída, essas matéria equivocadas são uma das razões da desconfiança do RAP com relação as mídias de massa. Acho que o objetivo puro e simples desses comunicadores é enfraquecer o RAP, torná-lo algo comum e sem valor. Não acho que o caminho seja dizer não a mídia, mas sim sempre lembrar que quem não se posiciona é posicionado.


Elizandra Souza é poeta e jornalista. Atuante no hip-hop, nos direitos da população negra e das mulheres, desde 2004 é poeta da Cooperifa (Cooperativa dos Artistas da Periferia). Editora da Agenda Cultural da Periferia, Elizandra lançará seu livro Águas da Cabaça no próximo dia 26 de outubro, com direito a pocket-show da Lívia Cruz. Mais detalhes abaixo:

Lançamento do livro de poemas de Elizandra Souza
Dia: 26 de outubro
Horário: 19h às 22h
Local: Espaço Periferia no Centro - Rua General Jardim, 660 - Vila Buarque
Quanto $: só colar