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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Melhores discos brasileiros 2015 #Top100




Vou mandar logo o papo: 2015 foi um grande ano para a música brasileira, em especial a independente. Se pá o melhor desde 2010, quando iniciamos esse blog. Tão bom que resolvemos expandir a lista dos melhores para uma centena (+1). Sim, cento e um discos daora. De verdade, acredito que esse foi um ano muito positivo, com lançamentos importantes, como os novos do Ogi, Passo Torto e Aláfia; a estreia de Ava Rocha; a volta do Black Alien; novidades como Sara Não Tem Nome; o peso do Test e Jupiterian; a revelação do rap Sant; e por aí vai. Fizemos uma lista assim: os dez primeiros em ordem de relevância e qualidade. Abaixo estão simplesmente em ordem alfabética, sem preferência. A lista não pretende encerrar o assunto, mas lançar uma boa discussão e quem sabe apresentar novidades. Enjoy!


1. RODRIGO OGI - RÁ



Em Rá, seu segundo disco solo, Rodrigo Ogi elevou o nível em todos os aspectos: levada, construção lírica, canto, ambiência. O universo urbano se expandiu com riqueza de detalhes e climas. Até mesmo a dimensão psicológica dos inúmeros personagens retratados se mostra mais elaborada. A produção de Nave acompanhou essa força criativa, construindo beats ferozes e galopantes. Pra triunfar dessa forma, Ogi contou também com a luxuosa ajuda de gente como Thiago França, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, entre outros. Parece que para apresentar o sucessor do clássico Crônicas da Cidade Cinza (melhor trabalho de 2011 por aqui), o rapper paulistano decidiu simplesmente elaborar outra obra prima. Puro ouro 18k. Disco do ano com louvor.


2. ALÁFIA - CORPURA



O segundo trabalho do Aláfia é uma obra poderosa: as composições são mais estruturadas, delineando o arcabouço estético rico da banda. Corpura é uma aventura pelos ritmos afro brasileiros, recheado de proposições; aqui o intento é de marcar posição antirracismo, ao mesmo tempo em que convida para dançar a revolução. Desde a ordenação das músicas até o timbre particular, passando pela entrega sublime dos músicos envolvidos, Corpura chega forte, música brasileira contemporânea afiada.


3. AVA ROCHA - AVA PATRYA YNDIA YRACEMA



A música de Ava Rocha passeia por fragmentos de imaginação; é possível encontrar momentos de sensibilidade entre as melodias que quase sempre se aproximam do experimental. O clima de anos setenta é apenas um dos aspectos do multifacetado trabalho, que transborda personalidade. Ava canta com aparente descontração, mas nunca perde a intensidade. Um disco bem acabado, equilibrado, que apresenta com distinção uma artista talentosa.


4.PASSO TORTO & NÁ OZZETTI - THIAGO FRANÇA



Uma das integrantes do grupo Rumo na época da vanguarda paulista, Ná Ozetti emprestou sua límpida voz para "Thiago França", terceiro trabalho do Passo Torto. Como de costume, o instrumental do dream team da cena paulistana é abrasivo, minimalista e, bem, tortuoso. O contraste da feiúra das distorções com a melodiosa voz da cantora é fundamental, criando texturas dentro das composições sempre bem arranjadas.


5. JUÇARA MARÇAL & CADU TENÓRIO - ANGANGA



Juçara Marçal é uma das melhores cantoras do Brasil. A voz do Metá Metá, que ano passado lançou seu primeiro disco solo, se juntou ao experimentador carioca Cadu Tenório para Anganga. Com releituras de faixas que são antigos cantos de terreiro e mais duas músicas de Cadu, o disco resgata o passado negro da música nacional ao passo em que experimenta através de texturas barulhentas de sintetizadores, objetos amplificados, bateria eletrônica e demais dispositivos comandados por Tenório. O resultado é muito peculiar: exige atenção do ouvinte, mas recompensa com o contraste luz/sombras da dupla.


6.EMICIDA - SOBRE CRIANÇAS,QUADRIS,PESADELOS E LIÇÕES DE CASA



A ida de Emicida ao continente africano resultou em uma percepção apurada sobre ancestralidade - cultural, antropomórfica. O MC trouxe um arsenal de palavras que redimensionam a posição do homem negro no Brasil de hoje. Seu segundo álbum é repleto de versos duros e reflexões emotivas, ao passo em que flerta com gêneros musicais diversos: é um disco de hip hop na essência, mas abre o leque e mostra a versatilidade do artista.


7. SARA NÃO TEM NOME - ÔMEGA III



Assim como suas contemporâneas gringas Sharon Van Etten, Laura Marling, Angel Olsen e Soko, Sara Braga mostra personalidade mesmo quando habita um cenário já bastante populoso.Trabalhando com uma matéria prima corriqueira - o indie folk rock - a compositora mineira consegue articular suas angústias com delicadeza e habilidade. Destaque para o hino adolescente Dias Difíceis, a densa Água Viva e a balada com cheiro de hit Solidão.


8. SIBA - DE BAILE SOLTO


Desde o seu primeiro disco solo, Avante (2012), Siba tem mostrado uma queda pela eletricidade; fraseados de guitarra são base das novas composições. Em De Baile Solto, há uma maior sintonia e fluidez, resultando em um trabalho mais harmonioso. O Siba do maracatu e da ciranda não desapareceu; apenas se solidificou através de experiências musicais diversas, expandindo o universo autoral do compositor pernambucano.


9. BLACK ALIEN: BABYLON BY GUS VOL II: NO PRINCÍPIO ERA O VERBO

 


Black Alien venceu obstáculos pessoais entre o lançamento de seu primeiro disco solo e este Vol II. O retorno do rapper é com uma boa coleção de canções, em que seu flow leve se materializa em torno de ritmos variados. É Black Alien repassando sua trajetória com tranquilidade, abstraindo coisas boas em cada momento. A longa espera valeu a pena.


10. SUPERCORDAS - TERCEIRA TERRA


O terceiro álbum do Supercordas é o mais equilibrado trabalho da banda. Apostando na aproximação de belas melodias com a experimentação, Terceira Terra é um compêndio de psicodelia fina, com texturas e dimensões amplas. Do krautrock de Sobre o Amor e Pedras à épica faixa título, do quase hit Maria³ ao mergulho sinestésico de Sinédoque, Mulher, o disco é um triunfo.


Todos os 101 discos listados em ordem alfabética e com link pra audição:


  1.  Lê Almeida – Paraleloplasmos                                                                                 Leo Justi - Vira a Cara EP
     Rodrigo Ogi – Rá                                                                                               Rômulo Fróes - Por Elas Sem Elas        
     Silva - Júpiter                                                                                                          Sofia Freire - Garimpo


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Melhores discos brasileiros de 2013 - Top 50


Foto por André Porto
   
Mais um ano bastante favorável na música brasileira; não apenas na quantidade de gêneros variados mas principalmente pela boa articulação entre nomes novos e lançamentos importantes de artistas já estabelecidos. Temos desde o peso do Facada, Black Coffins, Deaf Kids e Noala passando pela eletrônica do Cybass, Barulhista e Soul One até grupos de difícil segmentação como Vermes do Limbo e Passo Torto. Mas, acima de tudo, foi um ano bom para o rap com discos fortes de Karol Conká, Lívia Cruz, 3umSó, Rael e principalmente as obras incríveis de Emicida e Don L, que elevaram o nível pra geral. Daqui pra frente, muita gente vai suar pra acompanhar o ritmo desses dois. E que venha 2014! Lista elaborada por Eduardo Yukio, Letícia e Fuzzy Dunlop.


  1. Don L - Caro Vapor/Vida e Veneno de Don L      review
  2. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui
  3. Passo Torto - Passo Elétrico
  4. Garotas Suecas - Feras Míticas          review
  5. Karol Conká - Batuk Freak
  6. Facada - Nadir
  7. Bárbara Eugênia - É o Que Temos      review
  8. Bonifrate - Museu de Arte Moderna     review
  9. Lívia Cruz - Muito Mais Amor        review
  10. Noala – Humo        review
  11. Deaf Kids – The Upper Hand
  12. Rodrigo Amarante - Cavalo
  13. 3umSó – Talibã             review
  14. Cacá Machado – Eslavosamba
  15. Do Amor - Piracema
  16. The Black Coffins - III. Graveyard Incantation EP
  17. Porto – Odradek
  18. Síntese & Distúrbio Verbal - Buracos ao Chão EP      review
  19. Clarice Falcão – Monomania             review
  20. Godasadog – Hoje
  21. Rael – Ainda Bem Que eu Segui as Batidas do Meu Coração
  22. Momo – Cadafalso
  23. Zeca Viana – Psicotransa
  24. Soul One - Pulso
  25. Cybass – Hop It! EP
  26. Barulhista – Café Branco
  27. Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra
  28. SLVDR – Fera Vischer EP
  29. Boogarins – As Plantas Que Curam
  30. Marcelo Jeneci – De Graça
  31. Blubell – Diva é a Mãe
  32. Lulina – Pantim
  33. Tribo da Periferia – 2. Último
  34. São Paulo Underground - Beija Flors Velho e Sujo
  35. Marcello Gugu – Até Que Enfim
  36. Guilherme Arantes - Condição Humana
  37. City Fuss - City Fuss
  38. Bemônio – Opscurum
  39. Zeca Viana – Psicotransa
  40. Vermes do Limbo - Adeus Igapó
  41. Glue Trip - Just Trippin EP
  42. Mahmundi - Setembro EP
  43. Projota - Muita Luz
  44. Wado - Vazio Tropical
  45. Dorgas - Dorgas
  46. Opala - Opala EP
  47. Castello Branco - Serviço
  48. CESRV - One Thousand Sleepless Nights
  49. Top Surprise - Klouds EP
  50. Digital Ameríndio - Intensos Animais Imperceptíveis