Computer And Blues, inacreditável disco final do projeto The Streets, comandado pelo talentoso Mike Skinner já foi devidamente elogiado aqui. Esse é o novo vídeo, da música OMG. The Streets chegando ao final (Skinner já deu pistas de como deve seguir fazendo canções poderosas com o disco Cyberspace and Reds) é uma notícia mais lamentável do que o encerramento de certas bandas cool-hipster-novaiorquinas comandadas por sujeitos "gente boa". Mais sobre Skinner pós The Streets nos próximos posts:
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
The Streets - Computer And Blues

Vou poupar informações jornalísticas básicas sobre o Mike Skinner AKA The Streets e já pulo pra parte que interessa: Computer And Blues é foda. Como quase tudo que o Skinner lançou antes, mas dessa vez é pra fechar a lojinha. The Streets acaba nesse álbum. Pouco tempo atrás escrevi sobre como o processo de composição desse disco foi aberto, via twitter e blog, a sugestões e conversas com jornalistas e fãs. Geralmente respondidas com vídeos, mixtapes e reflexões. Mike é bastante verborrágico e sofre de epilepsia.
A carreira de seu projeto foi lançada como um foguete, os dois primeiros álbuns aclamados pela crítica. Infelizmente, os outros dois discos subsequentes eram trabalhos irregulares. Se Skinner soava como um cronista do "dia comum", entre romances errôneos, brigas, bebedeiras, drogas, baladas, amigos, de uma maneira esperta e batidas garage simplistas em Original Pirate Material e A Grand Dont Come For Free , o sucesso afetou seriamente sua inspiração nos discos The Hardest Way Of Make An Easy Living e Everything Is Borrowed (estão aí suas referências jornalísticas, estamos falando do quinto e último disco do Streets, agora). Mesmo assim, os discos mais fraquinhos continham algumas pérolas.
Daí que Computer And Blues é tematicamente sobre relações humanas em tempos digitais. Ou sobre relações pessoais e comunicação, que por acaso, em 2011 são bastante digitais. Construído sem pressa e expectativa - ninguém mais lembrava realmente dele - Mike botou na roda um disco tão bom quanto seus dois primeiros. Musicalmente variado, de momentos mais secos e outros mais melódicos, ele não se perde nas rimas e está inspirado: Outside Inside é como um relatório, uma nota mental sobre os efeitos pós-drogas; Going Through Hell é sugestiva, o gosto amargo de caminhar pelas ruas podendo ser "esfaqueado pelas costas". A Blip On The Screen lida com pensamentos depressivos e reflexões " Mas então todo tipo de merda parece plausível dentro de casa/Proporções caminham para o pior". OMG é como Dry Your Eyes (de A Grand Dont Come For Free) para tempos de Facebook: " Vi seu status 'Em um relacionamento''Em um relacionamento' Um terremoto me atingiu" E continua: "Pq voce me avisou tão tarde?..Olhei suas fotos...caras que eu não conheço e que parecem próximos de voce agora". Mas tem um final feliz: "Entre os normalmente ignorados pedidos á direita (da tela)/Eu nunca teria imaginado um pedido tão legal/Agora voce está 'em um relacionamento...comigo'".
Ou talvez o amargor daquela canção esteja melhor representada em We Can Never Be Friends: " Dizer que te amo pra sempre/ não vai nos manter juntos...Nunca poderemos ser amigos/um quer continuar/ outro que chegue ao fim". Pra finalizar a argumentação:" Todas as coisas que vc sente falta do seu ex/Comprometimento, beijos e sexo/São o que vc vai cobrar do próximo". Soldier é grandiosa, incrivelmente cantada por Robert Harvey, da horrível banda The Music.
Talvez os versos mais simples e diretos do álbum sejam aqueles que resumem a melancolia movida a batidas e spoken words de Computer And Blues: extraída da música Puzzled By People, que parece melhor sem a minha tradução livre: "Puzzled by people/ Loving isn't easy/ You can't google the solutions to people's feelings" 8,5/10
* Dois clipes abaixo: o "normal" para Going Through Hell" e o interativo e cool, em que voce vai escolhendo as ações de Mike ao som de músicas de Computer And Blues:
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
The Streets, Twitter, Guardian e a Nova Forma de Compor Músicas
Essa semana Mike Skinner, o cara por trás do projeto inglês The Streets, postou um novo vídeo no Youtube. Até aí, nada de novo: ele já anunciou que o novo álbum sai no começo de 2011, e será o último trabalho sob essa alcunha. Bem sucedido no Reino Unido, Mike é um cronista/rapper branco que ilustrou tão bem os hábitos da juventude britânica do começo desse século quanto o Arctic Monkeys ou o Libertines. Seus dois primeiros discos, Original Pirate Material (2002) e A Grand Don't Come For Free (2004) são clássicos daquela década.
Acontece que Skinner, através de sua conta no twitter e no seu site oficial, vem não apenas comentando o andamento das gravações do novo álbum, mas pedindo sugestões de assunto e/ou complementos para rimas ao seus seguidores. O fato é que ele não somente vem incorporando essas sugestões como mantendo seus fãs atualizados através de pequenos vídeos postados no site.
O jornal britânico Guardian, através de seu articulista James McMahon, postou toda essa história no dia 22 em seu blog sobre música. McMahon elogiou a postura de Skinner em utilizar a internet de forma colaborativa. Daí que a resposta aos elogios veio em forma de vídeo e música, em que Mike pega o gancho de um dos comentários do jornalista (sobre tuítar a respeito de ressacas) além de, lógico, agradecer as palavras elogiosas. A música se chama The Day After The Day Off On One. Não sabemos se Computer And Blues, o disco a ser lançado, será tão bom quanto seus trabalhos iniciais, porém Mike Skinner está usando a internet não apenas como um canal de comunicação alternativo, mas como sua aliada na tarefa de encontrar inspiração. Seja por um tuíte, ou por uma crítica jornalística, o novo disco do The Streets será um trabalho verdadeiramente contemporâneo na origem.
Deixo o vídeo da "música-resposta" ao Guardian e também a genial Dry Your Eyes, de A Grand Don't Come For Free:
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