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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ordinária Hit - Funcionário


O aspecto político na música brasileira sempre vagou pela poesia que floreia mas não escancara, ou em relatos sociais que embutem comentários políticos. O medo de ser incorreto demais ou a vergonha de soar panfletário e infantil talvez expliquem a falta - ou escassez - de críticas ou posições deliberadamente abertas quanto á política. O Ordinária Hit lançou um EP chamado 3, em referência ao aumento do preço da passagem de ônibus em São Paulo. Esse álbum, Funcionário, foi lançado no dia do trabalhador. Não espere a groselha rock brasil 80 nem nas letras nem no som desses caras, no entanto.

Com frases curtas como intervenções, e uma sonoridade repleta de tensão, sujeira e riffs lancinantes, que operam entre o pós- punk e a no wave, Funcionário é um retrato musical da relação de trabalho e perda de humanidade. A ambientação relembra a confusão e a inconsistência dos padrões impostos, os vocais soam como ordens gerenciais; basicamente, é um dia no escritório, no que restou de não-robótico no chão de fábrica ou no carroceiro que é açoitado pelo sol e por motoristas apressados.

São onze faixas trabalhadas de forma extremamente coesa: a banda investe no equilíbrio entre o violino (sim), a guitarra, o baixo e batera, os vocais; algo de sinistro e incômodo percorre as canções, o que permite que se enxergue a grande qualidade do disco: transportando a dureza e a resistência como faces indissociáveis do labor atual, o Ordinária Hit criou a trilha sonora adequada para o endurecimento das almas. 7/10

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Swans - My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky

Michael Gira, Swans


Então, aquela expressão "growing old gracefully" não se aplica a Michael Gira e seus comparsas; figura chave no pós punk americano, navegando na no-wave nova iorquina e carregando sua banda por quase trinta anos, a feiúra e a dissonância do som dos Swans nunca combinou com a idéia de veteranos agradáveis compartilhando suas Buds...o hiato de quatorze anos (Soundtracks For The Blind é de 1996) não aliviou a visão ou mesmo a pegada caótica da banda. Na verdade, Gira soa ainda mais dark com sua voz grave de pregador do fim do mundo, contando estórias borradas de traços violentos. O acompanhamento instrumental aqui não decepciona, a banda constrói intrincadas colisões, dissonâncias carregadas de pequenas nuances de beleza em meio ao frenético modus operandi. A sensação de estranheza, ameaça e tensão domina o álbum, como se de uma canção acústica surgissem versos incômodos, ou do barulho surgissem dedilhados e arranjos delicados, e muitas vezes tudo isso ocorre ao mesmo tempo. Bandas como o Liars desejam criar sensação semelhante, mas no caso de "My Father..."o Swans torna outras tentativas reducionistas. Não é uma elegia a uma banda cultuada e respeitada voltando a ativa, mas a constatação de que se o Swans fosse uma banda nova, estaríamos aqui resenhando um curto(na duração), mas pungente início de carreira. Se você morrer e for pro inferno, o Swans será sua companhia musical: abrasivo e assustador. Ou, usando termos mais diretos, esse disco é uma ignorância, desprovido de acompanhamento agradável ou de rótulos bonitinhos. O The Suburbs dos freaks. 9/10 - Abaixo, o vídeo de Love Of Life (antiga, não presente no disco resenhado:esperemos por novos vídeos)